Secretário de Segurança do AM teria negociado com facção, aponta investigações

Louismar Bonates teria concordado em ampliar o poder dos criminosos em troca de “paz nas cadeias”

Investigações da Polícia Federal e do Ministério Público Federal apontam para o envolvimento do secretário de Segurança Pública do Amazonas, Louismar Bonates, com a facção criminosa Família do Norte (FDN). Bonates, que é coronel da Polícia Militar (PM), teria negociado a ampliação do poder dos criminosos em troca de “paz nas cadeias”, no ano de 2015.

De acordo com informações do jornal Folha de S. Paulo, a investigação reconstrói, com base em mensagens, o encontro entre o então secretário de Administração Penitenciária com José Roberto Barbosa, um dos líderes de uma das divisões internas que vêm se enfrentando desde o ano de 2017.

 O encontro, segundo o jornal, teria ocorrido na biblioteca do Complexo Prisional Anísio Jobim (Compaj). Na ocasião, José Roberto teria obtido duas garantias de Bonates: de que não seria transferido para um presídio federal e que dois pavilhões que serviam de reduto do PCC no Centro de Detenção Provisória, ao lado do Compaj, seriam extintos.

Além do acordo, Bonates teria se comprometido, também, em reformar o campo de futebol do complexo prisional.

De acordo com a Folha, na ocasião, a FDN ordenou um ataque ao PCC e à facção Esparta 300, resultando em 35 mortes, em julho de 2015. Dessa forma, o acordo, segundo a PF, garantiria a “paz nas cadeias”, mediante o controle total da FDN sobre o sistema prisional.

Após a deflagração da Operação La Muralla, em 2015, José Roberto foi transferido do Amazonas para um presídio Federal. O Ministério Público Estadual, por sua vez, não apresentou denúncia contra o secretário após o envio do relatório da PF.

O cargo

Bonates foi escolhido pelo governador Wilson Lima para comandar a Segurança. Segundo a Folha, o governador nomeou também, Luis Mario, Filho do secretário, para o alto escalão.

Ainda de acordo o jornal, a pasta informou que Bonates não apresenta impedimento para ocupar o cargo, tendo em vista que ele não responde a nenhum processo judicial ligado a essa investigação.

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