Secretário da Administração pede paciência e diz que falta compreensão da Polícia Civil: “Não temos recursos”

Sobre a greve iniciada nesta quarta (25/2), Geferson Barros explica que governo negocia com funcionalismo desde o início do ano, mas que situação de descontrole é grave

Secretário da Administração, Geferson Barros / Foto: Angelica Mendonca/Secom

Secretário da Administração, Geferson Barros, explica que situação do Estado é de calamidade. Faltam recursos | Foto: Angelica Mendonça/Secom

A situação financeira do Tocantins está mais grave do que se imagina. É o que garante o secretário da Administração, Geferson Barros, ao ser questionado sobre o processo de negociação com os Policiais Civil do Estado, que deflagraram greve nesta quarta-feira (26/2). “Simplesmente não há capacidade financeira do Estado pagar esses benefícios”, afirma o auxiliar.

No ano passado, o ex-governador concedeu benefícios para diversas categorias do funcionalismo público do Estado, como a Polícia Militar, Polícia Civil e a saúde. As progressões e promoções foram revogadas por decretos publicados no Diário Oficial do Estado, no último dia 11, e mobilizou parte do funcionalismo público tocantinense. Entretanto, até o momento somente os policiais deflagraram greve.

O Sindicato dos Policiais Civis do Tocantins (Sinpol-TO) pede a implementação da Lei 2.851/2014, que altera o plano de cargos, carreiras e subsídios da categoria. O texto prevê o direito de equiparação dos policiais de nível médio aos de nível superior, que era para ter ocorrido a partir deste ano.

Os policiais alegam que a equiparação de nível médio a nível superior foi feita pelo próprio Marcelo Miranda, ainda em sua gestão de 2007. Entretanto, o gestor nunca teria regulamentado a maneira de como a equiparação iria ocorrer.

O secretário de administração nega tal fato, e frisa que a ilegalidade da folha de pagamento existe desde 2013. “Não temos é dinheiro. Como é que eu vou implementar capacidade financeira que eu não tenho?”, explicou, questionado sobre a falta de análise de impacto orçamentário e financeiro por parte do antigo governo.

Na última terça-feira (24/2), o secretário da Administração, da Casa Civil e o procurador do Estado se reuniram com integrantes do Sinpol. Os representantes do governo tentaram negociar, apresentaram números que seriam para provar a incapacidade da gestão pagar as reivindicações no momento, mas a categoria não acreditou.

“Governo falou que está com dificuldade financeira para cumprir a lei. Temos prova de que eles têm dinheiro sim. Nosso realinhamento salarial não chega a 1%”, garantiu o Sinpol.

Geferson Barros, entretanto, disse à reportagem que a acusação de que estariam “maquiando números” é falsa. O funcionário público sustenta que os números são reais, e ainda que caso atendessem a categoria o impacto aos cofres públicos seria de R$ 33 milhões ao ano.

O Jornal Opção Online tentou contato com o presidente do Sinpol-TO, Moisemar Marinho, mas não conseguiu encontrar o presidente pelo telefone. Os serviços essenciais da Polícia Civil continuam, com 30% do efetivo trabalhando.

Processo de negociação

O secretário Geferson Barros garantiu que logo no primeiro dia de gestão de Marcelo Miranda o governo iniciou conversações com o funcionalismo público. “Nunca deixou de haver diálogo”, disse o auxiliar. Conforme funcionário, se houver o implemento de todos os aumentos, o déficit no Estado será de R$ 1 bilhão.

Quanto à greve, o auxiliar sustenta que o governo não irá olhar de forma diferente para as categorias. “Os policiais são tão importantes quanto os funcionários da saúde, educação…”, disse, garantindo que os outros funcionários públicos estão ouvindo as explicações do governo. “Estão entendendo que é momento de compreensão, e não de intransigência. Governo nenhum quer criar desgaste com servidor”, pontuou.

O Sinpol, por outro lado, ao ser questionado se as categorias iriam se unir, disseram que não teve contato nenhum com outra categoria. “Cada um tem a sua particularidade e pode reivindicar seus direitos. Entendemos que é direito nosso”, explicou.

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