Secretária diz que é “muito difícil” acompanhar todos os contratos da Saúde em Goiânia

Sem dados para responder às perguntas, Fátima Mrué disse que a pasta ainda não equacionou todas as dívidas anteriores à gestão atual

Secretária de Saúde, Fátima Mrué | Foto: Larissa Quixabeira

A secretaria de Saúde, Fátima Mrué, esteve na Câmara Municipal de Goiânia nesta terça-feira (19/10) para prestar esclarecimentos aos vereadores sobre os problemas da pasta. Quando da aprovação do requerimento para convocação da secretária, os parlamentares questionavam o possível fechamento dos Ciams dos setores Jardim América e Guanabara, mas, desde então, outros dilemas surgiram e a secretária não se mostrou apta a responder os novos questionamentos.

Um relatório elaborado pela Secretaria Estadual de Saúde mostra que os incentivos do governo destinados para leitos de UTI na capital são pagos em dia para a prefeitura, que não têm feito o repasse aos hospitais conveniados. “Todos os contratados estão sendo pagos na medida do possível”, alegou a secretária, admitindo o atraso.

“Acontece que a quantia que temos que pagar aos contratados todo mês é muito acima da nossa receita”, disse, sem especificar qual o déficit atual da secretaria ou sequer a receita mensal do órgão. “Vocês podem procurar depois a receita da secretaria, o que recebemos do Fundo Nacional de Saúde e do Governo de Goiás. O valor de tudo que temos contratado está muito acima”, disse aos jornalistas.

Quanto às dívidas da Secretaria de Saúde, ela afirma que os atrasos anteriores à gestão Iris sequer foram equacionados. “De 2016 para trás, ainda não estamos equacionando essa dívida porque isso depende de uma decisão maior do prefeito. Então, oportunamente ele vai autorizar a equação dessa dívida”.

Diante disso, ela justificou que a pasta se preocupa com as dívidas de 2017 e em rever os contratos para diminuir o déficit mensal. “Estamos revendo todos os contratos, tentando adequar às necessidades da população, mas temos mais de 200 contratos, é muito difícil acompanhar todos eles”, pontuou.

Vagas

Além disso, Fátima Mrué também admitiu que sobram vagas em Goiânia, tanto de leitos comuns e Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), como para exames médicos. Segundo ela, o problema está na regulação, que é de competência da Secretaria de Saúde.

“As vagas não pertencem aos donos das instituições, mas sim ao paciente. Uma vez que a vaga está contratualizada, quem regula somos nós. Hoje a taxa de ocupação é baixa, nos leitos de UTI chega a menos de 50%. Estamos investigando por que isso acontece para que seja corrigido, para que o paciente tenha acesso ao leito”, disse.

Essa também foi a justificativa para a compra de um novo software para a SMS sem processo licitatório. De acordo com Fátima Mrué, a partir de dezembro, o novo sistema será usado para marcar exames e fazer o controle dos medicamentos comprados pela secretaria.

“Desde o início da gestão, identificamos uma dificuldade no sistema eletrônico da secretaria, que é bastante limitado. Entre fazer uma licitação, na qual o tempo mínimo seria de três meses, decidimos pelo contrato de urgência”, justificou.

O contrato assinado em setembro pela secretária com a empresa  Vivver Sistema Ltda., já foi alvo de críticas e questionamentos na Câmara Municipal. “Estamos falando de um assunto complexo, caro e que deveria ser mais discutido. Estamos atentos e vamos investigar para evitar que mais irregularidades sejam cometidas por essa gestão”, disse o vereador Elias Vaz (PSB).

A também opositora, vereadora Dra. Cristina Lopes (PSDB), apresentou requerimento para explicações técnicas sobre a contratação. Com dispensa de licitação, o documento assinado por Fátima Mrué prevê a prestação de serviços de manutenção, suporte técnico e customização para a área de saúde por um valor de mais de R$4 milhões.

Demissão

À frente da pasta mais problemática da Prefeitura de Goiânia, Fátima Mrué teria chegado a pedir demissão do cargo no início da semana, mas o prefeito Iris Rezende (PMDB) a teria convencido a refluir da decisão.

Em entrevista nesta quinta-feira (19/10) ela negou que tenha pedido demissão e diz ser grata pela oportunidade de “ajudar a reconstruir a saúde de Goiânia”. “Em momento algum passou pela minha cabeça. Tenho um compromisso muito firme com o prefeito e eu e ele temos um compromisso imenso com a população de Goiânia”.

Requerimento da vereadora Dra. Cristina Lopes (PSDB) pede para que a secretária compareça à Câmara quinzenalmente para prestar esclarecimentos sobre as ações da Secretaria de Saúde.

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