“Se uma providência não for tomada muita gente vai morrer”, alerta médico de Goiânia

Representantes do movimento “Unidos pelo SUS” estiveram na Câmara Municipal para falar da situação precária da Saúde no município

Representantes do movimento “Unidos Pelo SUS”, médicos Carlos Bahia e Fernando Bernardes | Foto: Larissa Quixabeira

Em um movimento denominado “Unidos pelo SUS”, integrantes da classe médica vinculados à Saúde municipal estiveram na sessão da Câmara de Goiânia nesta terça-feira (28/3) para mostrar aos vereadores a situação em que vivem os profissionais e exigir providências por parte da gestão de Iris Rezende (PMDB) e da Secretaria Municipal de Saúde (SMS).

Segundo o médico Carlos Duarte Bahia, a categoria se mobiliza contra o novo contrato apresentado pela administração municipal para os médicos credenciados que tiveram os contratos rescindidos no último dia 23 de março via edital publicado no Diário Oficial do Município. Ao todo, foram “demitidos” 480 profissionais que prestavam serviço na capital.

“O contrato apresentado é precário e é um insulto à classe médica. Não acredito que vai ter um médico sequer que aceitará assinar esse novo acordo contratual, pois quem assinar estará infringindo o código de ética da profissional, que prevê que o profissional tem que ter direito a condições dignas de trabalho”, disse o representante do movimento.

De acordo com Bahia, a a categoria entende que a nova proposta infringe direitos trabalhistas dos médicos.  “Não temos direito a férias, não temos direito ao 13º salário, não temos direito nem a ficar doente porque não podemos apresentar atestado médico. No novo acordo, o médico ganha pelo plantão que prestou, ou seja, tem direito apenas a trabalhar, servir a secretaria e ponto”, reiterou.

Por outro lado, a prefeitura explica que os médicos demitidos devem aderir ao novo acordo que foi feito conforme instrução do Tribunal de Contas do Município (TCM). A SMS diz ainda que está em vigor um memorando que exige que os médicos continuem atendendo mesmo com os contratos rescindidos.

Os representantes da classe afirmam que não foram avisados da rescisão e se sentiram desrespeitados pela administração municipal. “Como cidadão, o que vou levar em consideração, um memorando interno ao qual ninguém tem acesso ou um decreto publicado no Diário Oficial do Município? Um memorando sobrepõe ao Diário Oficial? Quando se trata de cargos públicos, todo mundo sabe que o que vale é o publicado no diário. Queremos ser tratados com respeito”, desabafou Carlos Bahia.

Também usou tempo de tribuna o médico do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) Fernando Bernardes. Durante discurso, ele lembrou aos vereadores que as reivindicações dos médicos vão além dos contratos dos médicos credenciados.

“Se o prefeito não tomar uma atitude, a coisa vai piorar. As condições de trabalho são precárias para todos os atendentes da saúde municipal. Enfermeiros, técnicos em enfermagem, motoristas do Samu… Todos não têm condições de trabalho. Se uma providência não for tomada muita gente vai morrer. Não estou fazendo uma ameaça, é uma previsão, um alerta. Precisamos socorrer a saúde”, disse o médico.

Em uma série de questões de ordem, os vereadores em unanimidade prestaram apoio à causa dos profissionais da saúde pública do município. A vereadora Priscilla Tejota (PSD), integrante da Comissão de Saúde da Casa, colocou o colegiado à disposição do movimento. “Goiânia tem uma das saúdes mais caras do Brasil, mas que ao mesmo tempo, não vê investimentos reais há oito anos. Sempre que tiverem assembleias e reuniões, contem com a Comissão de Saúde da Câmara pois estaremos presentes para dar o apoio necessário”, declarou a vereadora.

Nesta terça-feira (28/3), o movimento conseguiu uma nova reunião com a secretária de Saúde Fátima Mrué. Na segunda-feira eles haviam chegado a marcar uma audiência com a titular da pasta que acabou cancelada de última hora.

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