Santa Casa de Goiânia pode ser interditada por falta de condições de atendimento

Médicos relatam falta de medicamentos e materiais básicos para cirurgias. Conselho determinou prazo para adequações

Santa Casa de Misericórdia, em Goiânia | Foto: Reprodução / Google

Os 540 médicos da Santa Casa de Misericórdia de Goiânia podem parar o atendimento nesse que é hospital de referência em Goiás e no Centro-Oeste em cirurgias eletivas pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Os profissionais alegam falta de medicamentos e insumos, além de condições ruins de trabalho, que impedem o atendimento adequado aos pacientes na unidade. Ao Jornal Opção, um residente relatou que muitas vezes eles pedem para que o paciente compre o remédio. “O que mais faz falta são os antibióticos. Quando não tem, tentamos substituir por outro medicamento equivalente ou até pedir para o paciente comprar, mas normalmente a cirurgia tem que ser cancelada.”, explicou o médico que não quis se identificar.

Além dos remédios, faltam materiais como fios de sutura para cirurgia, sonda, dreno e, em alguns casos, até mesmo luvas e máscaras. Diante das denúncias, o Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego),  aprovou a instauração de um procedimento de interdição ética da Santa Casa de Misericórdia de Goiânia.

A medida é adotada quando uma unidade de saúde não apresenta condições de atendimento e põe em risco a qualidade da assistência ao paciente e o trabalho do médico. A Santa Casa tem 15 dias para apresentar um plano de correção das deficiências encontradas, a partir da data da notificação, que foi no último dia 21 de agosto. Caso não sejam feitas as correções, os médicos são impedidos pelo conselho de trabalharem no local.

“O hospital alega dificuldades financeiras, o que é compreensível, mas nós pensamos no perigo de se manter aberto um hospital que coloca em risco a assistência ao paciente devido à falta de insumos para cirurgias, materiais e medicamentos, como antibióticos, o que pode agravar o quadro dos doentes”, disse o presidente do Cremego, Leonardo Mariano Reis.

Ao fim do prazo, na próxima semana, uma nova vistoria será realizada, para verificar se as deficiências foram sanadas e o novo relatório será feito por um médico fiscal do Cremego. Caso ainda aponte irregularidades, o plenário do conselho votará pela interdição ou não do hospital.

Além do protocolo do conselho de medicina, existe ainda um ofício protocolado no Ministério Público do Estado de Goiás, que teria sido encaminhado pela própria diretoria da Santa Casa, com uma série de irregularidades constatadas dentro do hospital. Como o processo ainda não foi distribuído à nenhuma promotoria, o MP não pode informar mais detalhes. A assessoria de imprensa do hospital não confirma o envio do material.

A Santa Casa de Misericórdia é um hospital filantrópico, ou seja, sem fins lucrativos, cujo maior convênio, cerca de 93% dos atendimentos realizados, é com o Sistema Único de Saúde (SUS).

A assessoria de comunicação do hospital afirmou que trabalha para sanar os problemas apontados pelo conselho de medicina. Até o fechamento da matéria, a Santa Casa não justificou a origem dos problemas financeiros, nem informou as medidas que estão sendo tomadas pela diretoria.

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