Salário mínimo deve subir em 2022, mas poder de compra tende a continuar baixo, diz economista

Estimativa para o fechamento da inflação subiu de 7,9% para 9,7%, patamar que o crescimento da economia não alcançou

Projeção apresentada nesta quarta-feira, 17, pela Secretaria de Política Econômica (SPE), do Ministério da Economia, mostra que o salário mínimo deve subir de R$ 1.100 para R$ 1.210 em 2022, caso seja confirmada a projeção de inflação prevista pelo governo para 2021. Para a economista e analista de mercado Greice Guerra, no entanto, esse aumento pode ser considerado irrisório, em comparação às previsões negativas para o próximo ano.

A diferença de R$ 110 entre a remuneração de 2021 e 2022 é devido a previsão do Ministério da Economia sobre o cálculo do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que deve fechar o ano em 10,04%. Esse índice é a base da correção anual do salário mínimo, mas seu valor pode ser alterado caso tais projeções não se confirmem.

Greice explica que essas previsões negativas ao próximo ano, especialmente para o primeiro semestre, se dão justamente pela perspectiva de aumento da inflação e da consequente retração econômicas. “O salário mínimo está aumentando um pouquinho acima da inflação, mas isso não significa que os efeitos da inflação serão amenizados com o aumento. Esse aumento é irrisório”, avalia a analista de mercado.

Para muito além de ações para aliviar o peso no bolso dos brasileiros, a analista de mercado acredita que o aumento é relacionado a uma estratégia política. “Acredito que esteja aumentando por pressão política dos opositores. O presidente quer se reeleger a qualquer custo”, diz. Isso, porque segundo ela, o governo federal não vem realizando ações políticas efetivas para abrandar tal impacto.

“Apenas o Banco Central está fazendo essa atuação, de modo a aumentar a taxa Selic para conter a alta dos preços, mas no final isso vai recair em cima da população e do próprio setor produtivo em forma de inflação. Se o governo não criar uma medida em relação a inflação, há risco de haver perda do poder do real”, esclarece a economista.

O Boletim MacroFiscal divulgado pela SPE nesta quarta-feira, 17, chegou a mostrar que a projeção para o crescimento da economia este ano foi reduzida. Além disso, a estimativa para a inflação subiu de 7,9% para 9,7%, por influência da alta nos preços dos combustíveis e energia elétrica. Essas projeções fazem com que a previsão para 2022 seja resumida em uma inflação galopante e retração do Produto Interno Bruto (PIB).

“Também não se pode esquecer que 2022 é ano eleitoral, então o mercado estará mais volátil. O dólar deve subir ainda mais devido ao maior risco fiscal e o investimento estrangeiro no Brasil fica cada vez menor. Quando falta investimento, há desemprego e a arrecadação cai. Isso é preocupante”, pontua Greice. A economista ainda fala sobre a previsão de novos aumentos nos combustíveis, que causam impacto tanto nos transportes, quanto nos alimentos consumidos pela população e na atuação do setor produtivo – gerando mais custos ao consumidor final.

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