O câncer de pâncreas é um dos mais letais. Várias pessoas, mesmo com tratamentos avançados, nos melhores hospitais do mundo, morreram em decorrência da doença. Eis uma lista mínima: Aretha Franklin, Gilberto Dimenstein, Léo Batista, Luciano Pavarotti, Patrick Swayze, Raul Cortez, Steve Jobs e Umberto Eco.

Mas há novidade na praça… e uma baita novidade. Pesquisadores do Centro Nacional de Investigações Oncológicas (CNIO), uma das principais instituições científicas da Espanha, anunciaram um avanço inédito no estudo do câncer de pâncreas, um dos tumores mais agressivos e com menores taxas de sobrevivência.

Os estudos, liderados pelo cientista Mariano Barbacid, conseguiram provocar uma forte regressão em tumores pancreáticos de camundongos e, em muitos casos, eliminar completamente o câncer por meio de uma combinação de três medicamentos, numa estratégia desenvolvida para atacar o crescimento do tumor, mas também vias alternativas que normalmente permitem que o câncer se torne resistente.

O segredo do tratamento inovador foi atacar o câncer como um sistema adaptativo. A terapia tripla anula, ao mesmo tempo, os três vilões que juntos provocam o surgimento e desenvolvimento do câncer de pâncreas.

Um desses medicamentos bloqueia a proteína KRAS, que está mutada na maioria dos casos e é responsável por provocar a multiplicação descontrolada das células. Outro fármaco atua sobre receptores da família EGFR, que funcionam como rotas secundárias usadas pelo tumor para continuar se desenvolvendo.

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Pâncreas: o câncer, no órgão, é muito difícil de ser tratado | Foto: Reprodução

O terceiro componente interfere na proteína STAT3, responsável pela sobrevivência celular e à resistência aos tratamentos.

Ao bloquear os três mecanismos simultaneamente, os cientistas conseguiram impedir que as células cancerígenas encontrassem “rotas de fuga”. Sem saída, os tumores dos animais tiveram uma redução drástica.

Os resultados são promissores, porque o câncer de pâncreas não responde bem à quimioterapia tradicional e nem às isoladas.

Entretando, apesar do entusiasmo, os pesquisadores reforçam que os testes ainda estão em fase experimental e não podem ser automaticamente realizados em humanos, exigindo novas pesquisas clínicas antes de qualquer aplicação prática.

O câncer de pâncreas possui índice de mortalidade de 97% e o diagnóstico geralmente é tardio. Por isso, quando tratado não reage às terapias. Os casos de tumor pancreático são considerados fatais — até agora. Se os testes em humanos responderem como nos animais, então, a descoberta deverá reescrever o futuro dos tratamentos de câncer.