Roubos no cemitério Santana: por que ninguém faz nada?

Objetos dos túmulos são furtados constantemente, e mesmo assim, o lugar continua sem policiamento

Cemitério Santana | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Deserto, essa é a situação do cemitério Santana, em Goiânia. Familiares que têm seus entes queridos sepultados ali temem agora pela própria segurança. Sim, segurança! Isso, porque roubos e assaltos estão acontecendo nas dependências de um lugar que, teoricamente seria um espaço de descanso para os mortos, como o próprio nome sugere, “lugar onde as pessoas dormem”.

A situação do ‘Santana’, no entanto, agora é outra. Ao entrar no local , a primeira impressão que se tem, é a de que falta algo. Os mausoléus típicos de lá, encontram-se agora sem as obras de arte e outros objetos feitos de metal valioso. Mas como isso acontece? Simples, não há guardas vigiando o cemitério. Após o fechamento para visitas, todos os dias às 18h, o portão é encostado, e moradores de rua e usuários de drogas entram no local, e ali dormem, tomam banho.

Durante o dia, presos do regime semiaberto cuidam da limpeza e organização do cemitério Santana. Eles afirmam que muitas famílias pedem que eles cuidem dos túmulos para evitar os episódios de roubo, mas eles alegam que não conseguem controlar os atos de vandalismo e, que, mesmo acionando a Guarda-Civil, nada é feito. Os funcionários relatam que já tiveram até mesmo objetos pessoais roubados, e sentem-se impotentes diante da situação.

Cemitério Santana | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Uma das famílias vítimas do abandono do cemitério é a do ex-prefeito Nion Albernaz, que faleceu em setembro de 2017, e desde então tem seu túmulo maculado por vândalos. Da primeira vez levaram um busto de cristo, a família substituiu a peça, e apenas 20 dias depois, o objeto foi roubado novamente.

Yuri Baiocchi é outra vítima do descaso no cemitério: “No jazigo da família Pilade Baiocchi, por mais de uma vez já haviam arrancado as letras e números, em bronze, que compunham os nomes e datas de nascimento e morte de nossos entes queridos. Recentemente, minha prima Ana Maria Amorim Baiocchi esteve visitando o jazigo e, para sua surpresa, a imagem de Jesus Cristo, em dimensões humanas, feita em bronze, e que estava sentada numa pedra, havia sido furtada do jazigo da nossa família, que fica na alameda principal do cemitério, a poucos metros do portão”, lamentou.

Um tempo depois, Yuri soube que a estátua furtada foi abandonada pelos bandidos, e ficou sob a guarda da administração do cemitério que, diga-se de passagem, não deu nenhum retorno aos interessados. Já outra estátua, a da família Zupelli, continua desaparecida.

Entramos em contato com a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade de Goiânia (Semas) para que pudessem dar um parecer sobre a atual situação do cemitério Santana, mas até o fechamento desta matéria não retornaram ao Jornal Opção.

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