Ronilson, Wilson e Novandir não acreditam em punição por briga e fantasia de palhaço

Vereadores negam possibilidade de abertura de processo disciplinar no Conselho de Ética da Câmara de Goiânia, apesar de acontecimentos polêmicos da primeira sessão plenária de 2022

A primeira sessão plenária do ano na Câmara Municipal de Goiânia foi movimentada. Nela, tiveram discursos exaltados de indignação com a alta do IPTU, briga entre vereadores, parlamentar vestido de palhaço e fazendo malabarismo com três laranjas e até arma em cima da tribuna. Nos acontecimentos, os principais protagonistas foram os vereadores Sargento Novandir (sem partido), Ronilson Reis (PODE) e Pastor Wilson (PMB), ainda que vereadores como Cabo Senna (Patriota) e Gabriela Rodart (DC) tenham tido bastante repercussão, especialmente pelo fato da parlamentar ter anunciado que pediria o impeachment do prefeito Rogério Cruz (Republicanos).

O que se surgiu, em meio a esse cenário, foi a discussão sobre a possibilidade do Conselho de Ética da Câmara Municipal de Goiânia, que é presidido pelo decano Anselmo Pereira (MDB), abrir um processo disciplinar contra os três vereadores. Os referidos quanto às polêmicas, Wilson, Novandir e Ronilson, no entanto, não acreditam nessa possibilidade. Ronilson, que teve uma discussão com o vereador Wilson, nesta segunda-feira, 1, após provocá-lo e chamá-lo de ‘fofoqueiro’, explica, inclusive, que não acredita que tenha existido quebra de decoro parlamentar para que seja aberto um processo disciplinar.

“Isso é coisa do passado, já está superado. Não tem nada pessoal, foi simplesmente um momento de contestação. Eu fiz uma provocação e ele se sentiu ofendido”, explicou. No entanto, ele ainda complementou que caso o processo seja aberto, ele responderá a medida “tranquilamente”. “Não tem problema, não”, afirmou. É preciso lembrar que a briga entre os vereadores foi o que levou a sessão plenária a ser encerrada na manhã de ontem. A discussão se deu logo após o parlamentar do Podemos protocolar um projeto “pedindo a cabeça” (ou seja, a exoneração) dos secretários de Governo, Arthur Bernardes, Finanças, Geraldo Lourenço, e secretário executivo de Finanças, Lucas Morais.

Ao entregar o documento, ele teria falado para Wilson, que seria próximo de Bernardes “para que ele fosse fofocar a notícia ao secretário”. Wilson, no entanto, negou ser “leva e traz” secretário de Governo e alegou não conseguir contato com Arthur há cinco meses. Naquele momento, a discussão precisou ser apartada por colegas e os vereadores foram levados para fora do plenário. No entanto, para provar que o desentendimento ficara para trás, Ronilson chegou a comentar sobre o assunto no plenário, nesta quarta. No discurso, saiu até um “te amo”, em declaração ao vereador do PMB, explicando que a relação de colegas estava reestabelecida.

Quem também não acredita que vá ser aberto um processo disciplinar é o vereador Sargento Novandir, que nesta terça-feira apareceu vestido de palhaço no plenário. Ao subir na tribuna para discursar, o vereador sem partido fez malabarismo com três laranjas, tirou do bolso uma pedra para ilustrar a frase “quem nunca errou, que atire a primeira pedra”, ao falar sobre seu erro em votar favorável ao CTM, ameaçou o secretário de Finanças com seu cinto e pediu a um colega que lhe desse cintadas, ainda na tribuna. Ao tirar o cinto da calça para a encenação, o vereador ainda tirou a arma da capa de proteção e a depositou na tribuna.

Contudo, apesar dessa sucessão de acontecimentos, o vereador também afirmou não acreditar que vá ser aberto um processo disciplinar, mas ressaltou “ter responsabilidade de assumir seus atos”, e que, se o caso for ao Conselho de Ética, estará pronto para apresentar sua defesa. “Todos os atos que tomo tenho a responsabilidade de assumi-los. Não tem problema nenhum se for para o Conselho de Ética. Se for, estarei apresentando minha defesa. Meu sentimento de ontem quando eu vesti a fantasia de palhaço, é porque realmente me senti enganado traído e humilhado: um palhaço”, argumentou o vereador.

Ele ainda afirmou que “nunca mais vestirá a fantasia de palhaço”, se comprometendo a estudar detalhadamente todos os projetos que precisar votar na Câmara Municipal, dando a entender não ter feito o mesmo com o CTM. “Nunca mais eu visto a fantasia de palhaço, porque quando chegar um projeto de lei nesta casa vou estudar ele detalhadamente, vou buscar saber se tem alguma armadilha, algum respaldo pra ser modificado na secretaria, então isso nunca mais vai acontecer”, declarou.

Procurado pelo Jornal Opção, o vereador Pastor Wilson (PMB) também declarou não acreditar na abertura de um processo disciplinar, mas não quis dar mais detalhes sobre o assunto.

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