Rogério Cruz e João Campos tentam aparar arestas provocadas pela chegada de Mabel ao Republicanos

Crise reflete a decisão unilateral do presidente do partido em Goiás de filiar o empresário Sandro Mabel, aliado de Marconi Perillo e oposição ao governador Ronaldo Caiado, a quem Cruz hipoteca apoio

Rogério Cruz tenta apaziguar a crise gerada no partido |Foto: Jackson Rodrigues

Giselle Vanessa Carvalho e PH Mota

O prefeito Rogério Cruz e o deputado federal João Campos, correligionários no Republicanos, tentam aparar arestas na relação intrapartidária provocadas pela chegada do presidente da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), Sandro Mabel à legenda. A crise reflete a decisão unilateral de Campos, presidente do partido em Goiás, de filiar o empresário, que é aliado de Marconi Perillo (PSBD), um dos nomes cotados na disputa pelo Palácio das Esmeraldas, e oposição ao governador Ronaldo Caiado (UB), pré-candidato à reeleição, a quem Cruz hipoteca apoio. O flerte de João com o adversário foi visto, nos bastidores, como pressão pela vaga do senado na chapa de Caiado. Campos tentar cavar espaço para ser o nome da majoritária governista, mas enfrenta pelo menos outros cinco concorrentes, Delegado Waldir (UB), Zacharias Calil (UB), Lissauer Vieira (PSD), Alexandre Baldy (PP) e Luiz do Carmo (PSC).

“Foi um momento em que ele decidiu, simplesmente não houve uma informação, mas estamos resolvendo a situação internamente no partido”, afirma Rogério Cruz. À parte o desalinhamento interno e os rumores de que Campos colocou uma pedra no caminho da base governista, sinalizando possibilidade de migrar para a oposição, o chefe do executivo goianiense garante que o Republicanos segue com Caiado. Segundo ele, o partido tem trabalhado em parceria com o governo e Ronaldo se empenha em colaborar com o Executivos de todo o Estado. “Hoje, como prefeito da Capital, sendo republicanos, para mim, é uma grande satisfação poder estar ao lado governador”, diz e emenda que ele não ficaria de fora da base.

Além da esfera administrativa, a aproximação de Campos e Mabel também afeta a questão política. Se ele for indicado candidato a deputado federal, como especula-se nos bastidores, o deputado estadual Jeferson no Rodrigues (Republicanos), pré-candidato à Câmara dos Deputados, em Brasília, e uma das principais apostas de Cruz, terá muita dificuldade em obter sucesso nas urnas. Isso porque, o espólio eleitoral de Campos, que cogita candidatura avulsa ao Senado, poderia migrar para o presidente da Fieg.

A chegada do opositor de Caiado ao partido de Rogério também contraria Rogério em outro ponto. Entre as possibilidades apontadas para Mabel no Republicanos está a de ele integrar a chapa de Gustavo Mendanha (Patriota), pré-candidato ao governo de Goiás, de quem Sandro é aliado, caso se confirme a migração da sigla para a oposição. Nesse cenário, o presidente da Fieg seria o candidato a vice-governador, já que a legenda atende ao critério imposto por Mendanha para ocupar a vaga de vice: ter tempo de rádio e televisão. Oficialmente, no entanto, Mabel nega que irá às urnas nestas eleições. Se for, terá que deixar a presidência da federação até o mês de junho.

Ainda assim, o movimento de Campos incomodou profundamente o Paço Municipal, causando extrema surpresa e irritação ao prefeito. Tanto, que o chefe de gabinete e secretário particular de Rogério, José Alves Firmino, chegou a criticar João Campos, dizendo que ele não agiu de forma “correta”, que o sentimento era de “marido traído” e garantindo que ele, Rogério e a primeira-dama Thelma Cruz (Republicanos), pré-candidata a uma vaga na Assembleia Legislativa de Goás (Alego), seguem com Caiado, independente da posição do presidente do partido. Firmino, inclusive, deve deixar o Paço para estar na linha de frente da campanha de Caiado.

Rogério, no entanto, avalia que a filiação de Sandro Mabel, não comunicada e não deliberada entre os correligionários, é exceção e que o partido seguirá com o governador. De acordo com o prefeito, a relação com o Republicanos é democrática e, ao menos no caso dele, sempre houve espaço para participação nas decisões do partido. “João Campos, como presidente estadual do partido, tem os seus lemas, tem os seus projetos. Nós estamos em conversa e é uma conversa muito ampla, para que possamos chegar a um determinado comum, a uma definição comum, para que possamos agir de forma transparente, com responsabilidade, sabendo que, hoje, temos a responsabilidade de estar em uma capital, como Goiânia, e o partido trabalha para isso, para andarmos juntos, em harmonia, junto com o governo do Estado”, pondera. Cruz acredita que a permanência na base sempre “foi harmoniosa” e benéfica para a população. A qualificação do transporte público, por exemplo, é uma ação entre os governos estadual e municipal.

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