Reitor diz que curso na UFG sobre “golpe de 2016” representa liberdade de pensamento

Segundo Edward Madureira, da mesma forma podem haver conteúdos de disciplinas com viés completamente oposto

Edward Madureira Brasil, reitor da UFG | Foto: Fernando Leite / Jornal Opção

O professor Edward Madureira, atual reitor da Universidade Federal de Goiás (UFG), defendeu a existência do curso de extensão sobre “o golpe de 2016 e a universidade pública brasileira” dentro da instituição de ensino. “Vejo como um exercício da autonomia da universidade e da liberdade de pensamento”, explicou ao Jornal Opção.

As aulas vão ocorrer na Faculdade de Educação e contam com o apoio do Programa de Pós-Graduação em Educação e dos centros acadêmicos dos cursos de Pedagogia e Psicologia.

De acordo com o reitor, os temas da atualidade são tratados pela UFG normalmente, dentro de seminários, congressos, e disciplinas de núcleo livre que não são obrigatórias, dentre as quais esta do golpe. “Esta chama a atenção por conta de toda a polêmica que foi criada”, minimizou.

A proposta da disciplina, feita primeiramente na Universidade de Brasília (UnB), provocou turbulência no meio político e o Ministério da Educação (MEC) pediu que o Ministério Público Federal investigasse a matéria. A pasta também encaminhou a mesma solicitação à Advocacia-Geral da União (AGU), ao Tribunal de Contas da União (TCU) e à Controladoria-Geral da União (CGU). O objetivo é apurar se houve ou não improbidade administrativa.

A medida foi criticada por Edward, que disse que “não cabe à reitoria dizer o que deve ser ensinado em cada unidade acadêmica e também não cabe ao órgão mantenedor”. Segundo ele, da mesma forma podem haver conteúdos de disciplinas com viés completamente oposto.

“Temos que valorizar e ter como tema central o respeito, a responsabilidade na abordagem e trazer sempre as visões distintas para que as pessoas consigam por si só formarem suas opiniões”, justificou o representante.

Este semana, o vereador Oséas Varão (PSB) apresentou no plenário da Câmara Municipal uma moção de repúdio contra o curso. Ele afirmou ainda que vai protocolar junto ao Ministério Público Federal (MPF) uma representação contra a disciplina.

“Não fazemos nenhum tipo de censura, a não ser que haja afrontas a legislação e a questões éticas”, rebateu o reitor.

Na federal goiana, as inscrições são realizadas nos dias das aulas, sem cobrança de taxa.

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Eu amo meu país

Isso não é um curso é uma lavagem cerebral que os petistas querem fazer na comunidade acadêmica. Golpe?? Até o cartaz de divulgação faz menção ao partido. Que vergonha reitor, o papel da Universidade não é esse, defender as suas ideologias.

Bruno

Permito-me discordar do professor Edward Madureira, um fato histórico é um fato histórico, e o processo de impeachment é legal, e deste modo se fez pelo crime de responsabilidade, pois foi provado que houve desrespeito à lei orçamentária e à lei de improbidade administrativa por parte da presidente.

Luiz Ribeiro

Só gente que não está acostumada a ser contraditada se opõe ao curso.

Fred Adejar

Basta apenas criar também a disciplina “O mecanismo”!
Por que não!?
José Padilha acabou de lançar a minissérie que desvenda muito dos bastidores sujos de nossa política!!! Não existe uma verdade única, ele sempre tem um interesse a ser difundido. #soacho