Registro da candidatura de Lula reforça tese de que ex-presidente é maior que o PT

Para o partido, o mais vantajoso seria bancar Fernando Haddad e adotar discurso de renovação

Foto: Ricardo Stuckert Filho

O PT registrou, nesta quarta-feira (15/8), a candidatura a presidente de Lula da Silva no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Preso em Curitiba desde abril devido à condenação de lavagem de dinheiro no caso do triplex do Guarujá, o petista pode vir a disputar a sua 6ª eleição presidencial — foi eleito em 2002 e reeleito em 2006.

Contudo, é cedo para cravar que Lula da Silva será mesmo o presidenciável do PT nas eleições deste ano. Isso porque o registro de candidatura ainda será julgado pelo TSE e o ex-presidente deve ser enquadrado na Lei da Ficha Limpa, tornando-se inelegível.

Dilema
O PT vai viver um dilema até o dia 17 de setembro, prazo final para realizar alterações na chapa. Se decidir ir com Lula da Silva até o final, o partido corre o risco de ficar fora do pleito, caso a candidatura seja impugnada após a referida data.

Há, por outro lado, uma ala de petistas que defende a mudança do candidato. Registrado a princípio como vice, o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad assumiria o lugar de Lula da Silva e a deputada estadual Manuela D’Ávila (PCdoB-RS) completaria a chapa.

A insistência em Lula da Silva é vista como uma estratégia para reforçar a tese de que o petista estaria sofrendo perseguição política, mas acaba reforçando também que ele é maior do que o próprio PT.

Renovação
Apesar de liderar as pesquisas de intenção de voto para presidente, Lula da Silva é também o mais rejeitado entre os presidenciáveis — 56% de rejeição, de acordo com a pesquisa Real Time Big Data, divulgada na terça-feira (14/8) pela RecordTV. Enquanto isso, Fernando Haddad aparece com 37%, à frente apenas de Álvaro Dias, do Podemos, com 33%.

Além disso, Lula da Silva, aos 72 anos — completa 73 ainda este ano —, não apresenta muita perspectiva de futuro político. Por sua vez, Fernando Haddad, cuja atuação como prefeito de São Paulo costuma ser avaliada de maneira positiva, é quase 20 anos mais jovem — tem 55 — e, consequentemente, possui muito chão pela frente.

Se o PT bancasse o ex-prefeito de São Paulo e adotasse o discurso de renovação, o partido estaria dando um sinal de que pode ser maior do que Lula da Silva. Este, entretanto, não é o caso. Aliás, a postura do ex-presidente contribui para afundar ainda mais a sigla, que já sofreu um revés nas eleições municipais de 2016 com a diminuição do número de prefeituras.

Assim, o PT segue sem fazer a autocrítica esperada após os escândalos de corrupção que abalaram a cúpula do partido. Inclusive, articulou para isolar Ciro Gomes (PDT), candidato da esquerda mais competitivo neste momento, pois parece não aceitar outra candidatura viável deste espectro político que não seja a sua.

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ziro

O problema é o poder judiciário esquerdista que a qualquer momento pode soltar o presidiário para ganhar as eleições através das urnas eletrônicas viciadas do TSE. Quem sabe uma intervenção militar salve o país da URSAL/foro de são paulo.

Luis

Sem mimimi da minoria, vai pra cuba seu facista de merda

Jaime Monteiro

E a Democracia? Como assim sem mínimo da maioria? Fala sério…