Reforma de Bolsonaro vai nomear políticos do centrão para o ministério

Ricardo Barros, Ciro Nogueira e Arthur Lira serão os grandes aliados do presidente para governar e para a disputa de 2022. Alexandre Baldy está prestigiado

O presidente Jair Bolsonaro e o vice-presidente Hamilton Mourão não falam o mesmo dialeto em termos de poder. Por    que, se o segundo nem lápis tem, o primeiro é dono da caneta — ainda com muita tinta, ao menos por um ano e onze meses, até 31 de dezembro de 2022. Mas se tem mais força na língua do que nos dedos, por falta de caneta, o integrante do PRTB é bem informado sobre os bastidores do poder, sobretudo por ser general e amigo de muitos militares que auxiliam o dono da Bic carregada pela metade.

Arthur Lira, Onyx Lorenzoni e Jair Bolsonaro: o presidente da República joga com o centrão o destino de seu governo e a reeleição em 2022 | Foto: Reprodução

Hamilton Mourão disse que Bolsonaro fará uma reforma ministerial. Nem é preciso ser vice, ou general, para admitir que, se Arthur Lira for eleito para presidir a Câmara dos Deputados, o presidente terá de mexer no governo para acomodar a nova correlação de forças do Legislativo.

Tanto os deputados Arthur Lira e Ricardo Barros quanto o senador Ciro Nogueira, três dos mais atuantes artífices do centrão, deverão indicar aliados para o primeiro escalão do governo. O jornal “O Globo”, na reportagem “Reforma ministerial: entenda as mudanças que Bolsonaro avalia no primeiro escalão do governo”, afirma que o centrão quer retirar o aliado Onyx Lorenzoni do Ministério da Cidadania e colocá-lo na Secretaria-Geral da Presidência — um cargo chave, cujo titular fica praticamente ao lado de Bolsonaro, no Palácio do Planalto. É uma promoção.

Jair Bolsonaro, presidente da República, e Ciro Nogueira, presidente do PP | Foto: Reprodução

O centrão ocuparia o Ministério da Cidadania, que controla a Bolsa Família e é responsável pelo auxílio emergencial (o centrão quer mantê-lo). “Parlamentares de partidos aliados, incluindo o candidato do Planalto à presidência da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), defendem a continuidade do benefício pago durante a pandemia da Covid-19, o que turbinaria ainda mais a pasta”, sublinha “O Globo”.

O Ministério da Bolsa Família, como estão chamando, será um superministério na mão do centrão e terá como missão fortalecer Bolsonaro no governo e para a disputa de 2022. Vários nomes são cotados para o cargo, como o goiano Alexandre Baldy, que, aliado de Ciro Nogueira, está trabalhando, de maneira intensa, na “campanha” de Arthur Lira para presidente do Legislativo. É um dos operadores do centrão, sob o comando de Ciro Nogueira, um dos principais interlocutores do presidente.

O peso do “meteoro Arnesto” Araújo

Hamilton Mourão, que sabe das coisas, mesmo sendo tratado com certa indiferença pelo círculo mais próximo de Bolsonaro, sugeriu que o ministro das Relações Superiores, Ernesto Araújo — o “Arnesto”, como adversários o chamam em Brasília —, deve deixar o cargo. No círculo íntimo do Palácio do Planalto diz-se que nem Bolsonaro tem mais condições de segurar a queda do meteoro “Arnesto”. Estuda-se um cargo para o diplomata no exterior — uma embaixada no circuito Elizabeth Arden. Na Europa ou nos Estados Unidos. “Não sei se notaram, mas Ernesto Araújo está com a cara cada vez mais parecida com a de Abraham Weintraub” (o ex-ministro da Educação, que caiu para o “alto” e ganhou um posto no Banco Mundial), afirma um deputado federal que apoia o governo Bolsonaro.

Ernesto Araújo: cotado para um posto no circuito Elizabeth Arden | Foto: Reprodução

O centrão pode até mesmo indicar o substituto de Ernesto Araújo. Porque o ministro das Relações Exteriores não precisa pertencer, necessariamente, aos quadros do Itamaraty.

Apesar das pressões, Bolsonaro resiste em diminuir o número de militares no primeiro escalão. Por dois motivos. Primeiro, porque confia mais nos militares, inclusive em termos de probidade, do que nos políticos. Segundo, porque, com os militares no governo — o que lhe confere uma cara de governo, senão militar, militarizado —, os bolsonaristas acreditam que o Congresso terá de levar a sério (no sentido de não insistir com) um processo de impeachment. Uma tentativa séria de impeachment — e não como mera ameaça para conter certos arroubos do presidente — pode levar, há quem postule, a um golpe preventivo.

Mas Bolsonaro percebeu que, para evitar as ameaças de impeachment, também precisa dos políticos em seu governo. Não quaisquer políticos, e sim, principalmente, aqueles que têm influência no Congresso, como Ricardo Barros, Ciro Nogueira e Arthur Lira, reis do pragmatismo absoluto. Então, terá de combinar um governo militarizado, em determinadas áreas, mas terá de abrir espaço, na articulação política e nas áreas referentes ao setor de infraestrutura, para os políticos do centrão (frise-se: o ministro Tarcísio de Freitas continuará cuidando da infraestrutura). Tendo os militares e o centrão, Bolsonaro não cairá e ainda terá chance de ser reeleito em 2022. É o que se trama neste momento.

Há quem perceba Bolsonaro como um político “amalucado”. As declarações até são, mas o jogo com militares e políticos do centrão sugere que se trata de um realista absoluto.

Uma resposta para “Reforma de Bolsonaro vai nomear políticos do centrão para o ministério”

  1. Daniel Soares disse:

    Maluco absoluto (Bolsonaro)

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