Apesar das negativas ao longo deste ano de que retiraria sua pré-candidatura à Prefeitura de Goiânia, não deu outra: Gustavo Gayer, do PL, recuou e não pretende disputar o Paço Municipal. Segundo ele, por um pedido do próprio ex-presidente Jair Bolsonaro para que permaneça como deputado federal em Brasília. Em seu lugar, entrou Fred Rodrigues, que, no ano passado, teve seu mandato como deputado estadual cassado. No entanto, a permanência do pré-candidato, assim como foi com Gayer, já nasce incerta e com tendência de não durar muito — pelo menos não na cabeça da chapa.

Ao Jornal Opção, Fred Rodrigues disse que Bolsonaro foi enfático ao dizer que o partido terá candidato no primeiro turno nas eleições deste ano, em Goiânia. “Ele foi categórico quanto a isso: o PL terá candidato”, afirmou o agora pré-candidato à Prefeitura de Goiânia. Contudo, assim como as informações que davam conta de que Gayer não seria candidato acabaram se concretizando, os rumores de uma possível composição do PL com outro partido ganha, a partir de agora, cada vez mais consistência.

O principal cotado para essa aliança é justamente o nome apoiado pelo governador Ronaldo Caiado, Sandro Mabel (UB). Desde a confirmação da pré-candidatura do empresário, em março deste ano, vários nomes foram ventilados como possível vice em sua chapa: a filha de Iris Rezende, Ana Paula Machado; a ex-primeira-dama de Aparecida de Goiânia, Mayara Mendanha; a esposa de Bruno Peixoto e servidora pública, Luciene Peixoto; o diretor-geral da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), Chiquinho de Oliveira e, por último, o ex-deputado estadual Thiago Albernaz (MDB), que chegou a se desincompatibilizar de seu cargo na Alego com vistas à posição na chapa de Mabel. Além de Vilmar Rocha, do PSD.

Leia também: Pré-candidatos a Prefeitura de Goiânia avaliam transferência de votos do PL após desistência de Gayer

O mais cotado até então é justamente Albernaz, que integra o grupo de Bruno Peixoto e que, segundo aliados de Mabel à reportagem, tem trabalhado para se viabilizar como o pré-candidato a vice-prefeito. No entanto, o entorno de Mabel, em conversas com Albernaz, teria aberto o jogo com o ex-deputado sobre a preferência de ser uma pessoa do PL ou do PSD para a posição de vice.

A movimentação do PL em Goiânia nesta quarta-feira, 19, que tirou Gayer do jogo político deste ano e focou em Fred, foi vista nos bastidores como uma sinalização do partido bolsonarista para uma abertura maior ainda das negociações com Mabel. Vale dizer que as conversas já vinham ocorrendo, mas será a partir de hoje que elas devem se intensificar.

O “trunfo” do PL a ser indicado à vice de Mabel seria o próprio Fred Rodrigues, que negou a informação que circulou hoje sobre estar inelegível. O pré-candidato informou está quite com a Justiça Eleitoral e que, apesar de ter perdido o mandato em 2023 por questões relacionadas à prestação de contas da campanha de 2020, não há nenhum impedimento para que ele concorra nas eleições deste ano. A questão foi confirmada ao Jornal Opção por uma fonte ligada ao Tribunal Regional Eleitoral de Goiás (TRE-GO), que analisou a situação de Rodrigues e fez coro a ele: “Não existe óbice na candidatura do Fred Rodrigues”.

Além de criar uma chapa mais competitiva, com mais tempo de TV e um fundo eleitoral mais robusto, um possível embarque do PL na chapa de Sandro Mabel elevaria não só a dimensão do eleitorado do empresário, já que Fred poderia puxar o voto bolsonarista, mas também daria o  pontapé inicial para uma aliança entre União Brasil e PL tanto em nível estadual quanto federal (vale destacar que Ronaldo Caiado pretende se lançar na corrida à presidência da República em 2026, e tenta garantir o apoio de Jair Bolsonaro para o projeto).

A sinalização para uma composição agora parte de ambos os lados. Agora, resta esperar aonde levarão as negociações.