Randolfe Rodrigues quer pacto de “todas as forças” contra Bolsonaro para reconstruir o Brasil. E ele está certo

Por outro lado, o PT precisa deixar de lado o pragmatismo eleitoral e mostrar que quer o impeachment agora, em nome das vidas que seriam poupadas

Numa sabatina das mais aguardadas dos últimos tempos do “Roda Viva”, na TV Cultura, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) destacou a importância de união de todos os democratas para deter um segundo mandato de Jair Bolsonaro (sem partido).

Questionado sobre se a Rede estaria com Lula em 2022, Randolfe respondeu que no primeiro turno são muitas as possibilidades. E no segundo? “Todos os esforços que forem necessários [para vencer Bolsonaro], seja qual for o agente político que estiver no segundo turno contra o atual mandatário da Nação.” Isso depois de ter dito que “vamos precisar de todos” porque “teremos que construir o Brasil democraticamente, institucionalmente, economicamente e socialmente”.

Senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), vice-presidente da CPI da Pandemia: “Precisamos unir todos contra Bolsonaro” | Foto: Reprodução TV Cultura

Vice-presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Senado que investiga a condução da pandemia pelo governo federal, ele tem podido ver “de dentro”, com acesso a toda a documentação disponível – portanto, bem mais profundamente – o descaso de Bolsonaro e seus comandados com a compra de vacinas e as demais medidas sanitárias que poderiam ter salvado centenas de milhares de vidas de brasileiros.

Para qualquer homem público com algum caráter, isso somente o faz ter ainda mais noção da premência de todos os partidos apoiarem o adversário do atual presidente num eventual segundo turno da próxima eleição, quem quer que seja.

Claro que muita água vai passar debaixo da bela ponte do Lago Paranoá até outubro do ano que vem. A pandemia, que parece inacabável por aqui, tem ali na frente a iminência da “terceira onda” – entre aspas, porque cientificamente, para alguns, nem saímos da primeira –, o que torna tudo ainda mais imprevisível.

Aliás, isso é o que dá para prever: o cenário da instabilidade. As manifestações de 29 de maio mostraram que o povo cansou de esperar uma ação institucional para parar Bolsonaro. Nas ruas era uma maioria de pessoas de esquerda, sim, mas também havia muita gente com o luto entalado na garganta.

Uma grande coalizão, desde já, poderia fazer com que o tempo de Bolsonaro se abreviasse. O Brasil clama pelo impeachment de Bolsonaro e as pesquisas dizem isso em “voz” cada vez mais audível. Seria ruim para Lula e para o PT eleitoralmente, se isso acontecesse – enfrentar um presidente fraco será mais fácil nas urnas do que uma novidade (ainda que velha) vinda de um centro.

Mas é preciso dar um basta nas mortes e devolver a esperança de saúde ao povo brasileiro. Randolfe está certo em apelar para a união de todos, eleitoralmente falando, num duelo contra a extrema-direita. É hora de o PT, com Lula à frente, dar sinais de que prefere encarar a incerteza de outro adversário a deixar sangrar o inquilino do Planalto até outubro de 22.

Poupar vidas. Salvar a democracia. Objetivos ambos urgentíssimos. Só que cronologicamente o primeiro vem antes do segundo, no momento.

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