Quem se importa com o povo brasileiro é o Novo, não os populistas, diz Felipe D’Ávila

Propondo a ser uma terceira via nas eleições de 2022, Felipe D’Ávila (Novo) defende que as pessoas entenderam que a polarização “destruiu com a vida delas”

Gabriela Macêdo

Giselle Vanessa Carvalho

Nielton Soares dos Santos

Rafaela Ferreira

“Nós precisamos de alguém para pacificar o país. Ninguém aguenta mais o radicalismo. O radicalismo criou feridas no Brasil. A ausência de diálogo, de tolerância. Isso está dificultando o diálogo das pessoas”, disse Luiz Felipe d’ÁVila. Sendo o escolhido do partido Novo, Felipe d’Ávila teve a pré-candidatura a corrida pela presidencial lançada em novembro de 2021. O também cientista político e empresário, diz se propor ser a terceira via durante corrida eleitoral.

Formado pela Universidade Americana em Paris, França, e com mestrado em Administração Pública pela Harvard Kennedy School, dos Estados Unidos, está será a primeira corrida eleitoral disputada por cientista politico. Vindo de uma família de políticos, Felipe é neto do ex-deputado federal João Pacheco Chaves (MDB-SP). Além de ser irmão do deputado estadual por São Paulo, Frederico d’Ávila (PSL) e primo da ex-deputada Manuela d’Ávila (PCdoB).

Ao Jornal Opção, d’Ávila também informa sobre a proposta do fim do populismo e a extinção do Fundo Eleitoral que o Novo tem como pautas. O também é fundador do Centro de Liderança Pública (CLP), organização de gestores públicos, brinca os parâmetros morais e políticos do Novo impede uma aliança maior. O que faz com que o Novo tenha uma chapa pura. Confira o que mais Felipe d’Ávila propõe para ocupar a cadeira presidencial em 2023:

Opção – Abrir mão dos recursos para os partidos compores vocês seria o principal problema que o Novo enfrenta atualmente?

Abrir recursos certamente é uma coisa que pega essas pessoas, mas também é a questão das propostas. As propostas que, talvez, um o homem não vai abrir mão, como abertura econômica, abertura unilateral da economia, o programa forte de privatização. São as bandeiras tradicionais do Novo e que sempre criam problemas nessa turma, que não somente vive da agenda do corporativismo, mas também não quer saber disputar a eleição tendo que depender apenas de apoiadores. O Novo mostra que com os 52 mandatários,claramente é possível vencer a eleição com pouquíssimo recurso de campanha e tendo muita gente voluntária trabalhando numa campanha fazendo a diferença. Então nós vemos o governador em Minas, prefeito de Joinville, a maior cidade de Santa Catarina. Então isso nunca foi um plano pro Partido Novo.

Opção – Em comparação aos outros partidos, o que seria, em cifras, pouco recurso de campanha? Quanto você pretende gastar? Os recursos do Novo vem de onde?

Não sei ao certo quanto nós vamos gastar. Eu diria que 10% do gasto de qualquer campanha de qualquer candidato à presidência da república. Os recursos vêm sempre de doações de pessoas. Hoje, no Brasil, estes recursos só podem vir de Pessoas Física. O que dá para fazer campanha tranquilamente. O dinheiro da campanha é destinado, principalmente, ao tempo de televisão, se fica fazendo muito filme durante a campanha. Além disso, vai também em transporte. No Novo, não se tem muito tempo de televisão, aliado a usar avião comercial, só isso, derruba bastante os gastos. Outro gasto é a gráfica, porém ela está cada vez menos importante durante as eleições. O mais importante, e o que faz a diferença, é a militância ativa voluntária. As pessoas que propagam as propostas, a palavra, essa é a força da rede do Novo, que é muito importante. 

Opção – O Novo é um partido muito associado a grandes empresários. Você acredita que o perfil do público de vocês favorecem que o partido capte recursos? 

Não. Favorece, mas não é esse o ponto. Digo que o problema é do fundo eleitoral. Ele é imoral por várias razões. Eu vou dar apenas duas aqui. Primeiro, o dinheiro do contribuinte está indo para financiar a campanha em uma quantidade totalmente desproporcional para uma eleição. Nós gastamos R$ 670 milhões para vacinar o Brasil inteiro contra a Covid-19. E mesmo assim nós vamos gastar, também, cinco bilhões de reais em dois meses de campanha? Isso não faz o menor sentido.

Opção –   Se você for eleito presidente, a regularização ou encerramento do fundo eleitoral seria uma das suas pautas? 

Nós vamos lutar contra o fim do fundo eleitoral, porque consideramos imoral. Além de ser uma péssima forma de usar o dinheiro do contribuinte. Se pegar cinco bilhões do pagador de imposto hoje, depois o que acontece? Tem que aumentar o IPTU, aumentar o IPVA. Iria precisar aumentar o ICMS para ficar compensando esse tipo de gasto, que é o mais cara do mundo. 

Opção – Mas é igual a população de empresas? 

Não. Eu acredito que são da pessoa física. O que nós precisamos é aprovar o voto distrital. Essa é uma bandeira importante. Essa, na verdade, é a bandeira mais importante. Porque se tivesse voto distrital o preço de campanha cairia uma barbaridade. Se você está disputando em um único distrito legal, então essa é uma reforma política importante que nós vamos lutar. 

Opção – Felipe, você já falou que se você precisasse escolher entre Lula e Bolsonaro você anularia seu voto. Porém como o Novo, pensando em um grau de polarização extrema que se tem no Brasil há alguns anos, pretende encontrar um lugar para uma terceira via? 

Conversando com as pessoas pelo Brasil, como eu venho fazendo, não vai dar Lula e Bolsonaro. Por uma razão muito simples: qual é a demanda unânime das pessoas no Brasil inteiro? Nós precisamos de alguém para pacificar o país. Ninguém aguenta mais o radicalismo. O radicalismo criou feridas no Brasil. A ausência de diálogo, de tolerância, e isso está dificultando o diálogo das pessoas. Famílias estão divididas por causa do debate político. As pessoas entenderam que essa polarização, esse radicalismo só piorou a vida delas. Perderam emprego, a inflação voltou, o desemprego é recorde. Hoje tenho uma conotação muito clara que polarização significa menos emprego, menos investimento, maior intolerância, mais inflação e, portanto, não faz o menor sentido. O atributo principal que o eleitor está buscando é um pacificador do país. Uma pessoa capaz de restabelecer o diálogo, o entendimento. Isso não está nas duas polarizações.

Opção – Como terceira via, de que forma o partido está construindo essa identidade? No período pós-eleição, a sigla começou a ser muito associada ao bolsonarismo. Como vocês pretendem superar isso e construir a identidade própria do Novo? O Amoêdo, por exemplo, deixou o partido porque ele é crítico ao Bolsonaro. Existe uma área bolsonarista dentro do Novo?

Não, não existe, e eu vou explicar porquê. Eu sempre falo que tem que olhar o partido pelas suas votações, pelas suas decisões. O Novo é um partido que faz oposição responsável. Uma posição responsável é que nós sempre vamos votar as propostas importantes para o país. Por exemplo, votar a reforma da previdência é ser bolsonarista? Voltar a favor do marco do saneamento básico é ser bolsonarista? Votar a favor do novo marco das startups é ser Bolsonarista? Votar a favor do PL das ferrovias ser bolsonarista? Não, essa é a pauta do Brasil que o partido Novo vai votar, sendo o Lula ou o Bolsonaro o presidente da República. O Novo tem uma postura muito clara: nós vamos votar a favor da pauta do Brasil.

Opção – Você acredita que essa reforma administrativa que o Bolsonaro propôs, considerando que toda elite do funcionalismo está de fora, é boa? 

A reforma é essencial para o Brasil. Vou dizer o que que tem de bom, o que que tem de ruim. A primeira coisa que tem de bom é que é o critério para o desempenho. O bom servidor é a favor, ele quer ser avaliado por desempenho, porque ele quer ser reconhecido pelo seu trabalho. Além disso, tem que cortar gastos e a reforma administrativa é o que vai permitir isso. Também falta uma outra coisa importante, que não está na reforma, mas que nós vamos incluir nas nossas propostas: a avaliação de programa. Nós precisamos ter um critério objetivo de avaliação de todos os programas. Saber o que está lhe dando resultado ou não. Se gasta com o Brasil, hoje, 5,6% do PIB em educação, que é acima da média do CDE.

No entanto, quando você vai ver o aprendizado, é um desastre. Também é a mesma coisa com a saúde e com a segurança pública. Assim, precisamos ter metas globais para desdobrar nossas metas para os seus estados e municípios.

Opção – O Novo foi muito acusado de ser um partido elitista em um país de fome. Quem elege no Brasil é pobre, porque consiste na maioria absoluta da população. Em 2018, o Novo não tinha pautas voltadas para desigualdade social para essa ala aqui, vocês pensam em chegar nesse público de alguma forma? 

Esse público faz parte da nossa pauta. Aliás nós temos vários pré-candidatos a deputado federal e estadual com o perfil da defesa da agenda social. A grande diferença do Novo dos populistas de direita e esquerda é que nós queremos criar igualdade de oportunidade para tirar as pessoas da pobreza. Eles querem perpetuar o número de pobres, porque eles acham que é o jeito que eles se elegem. É bem diferente a abordagem do tratamento. Tanto populismo da direita quanto o da esquerda fazem a política de proteger a indústria nacional, prejudicar a nossa competitividade, impedir a abertura econômica e, portanto, nós não conseguimos crescer de forma acelerada para tirar as pessoas da pobreza.

Opção – O Brasil tem um outro problema que é a qualificação. Se abrir a economia, como vai qualificar essas pessoas? 

Educação é o ponto básico. A meta do plano de governo do Partido Novo é a educação básica. Nós vamos ter o Brasil no top vinte do PISA em 7 anos. E vai ter que desdobrar essa meta para melhorar a formação de professor, alfabetização plena das crianças aos oito anos de idade, os cursos profissionalizantes para os jovens do ensino médio, para derrubar o número de que 48% dos nossos jovens não terminaram o ensino médio. É um absurdo imaginar que metade dos nossos jovens não terminaram sequer o ensino médio. Onde é que vão arrumar emprego? Vamos viver a vida inteira do Bolsa Família, do auxílio emergencial? Não dá.

Opção – O partido Novo ou você defende a privatização das federais? Apoia a cobrança de pagamento de mensalidade nas universidades?

Quem vai para universidade hoje? Quem teve boa educação, pelo menos em Goiás. Qual é a qualificação? Como é que essa pessoa? Hoje se tem uma fábrica de diplomas no Brasil em que, no final, as pessoas estão sem qualificação nenhuma. Aí como é que faz? Só pra ter o diploma? Se cria uma outra ilusão de que, quando você vai para universidade está você vai sair lá com altos salários e empregado. Não é assim que as coisas acontecem. Então nós precisamos focar na qualidade do ensino. No entanto, eu acho que quem tem renda, por que não pagar? Por que não? Você vai ajudar a criar um fundo para criar mais bolsas para aqueles que não podem pagar a universidade. E por que que só o estado tem que pagar? Por que a gente não cria um sistema de bolsas interessante pago por aqueles que podem contribuir? Não faz sentido nenhum ter uma universidade gratuita lá. Quem entra na Universidade de São Paulo (USP) lá se tem uma porção de gente que estuda em escola privada a vida inteira.

Opção – O senhor fala de geração de oportunidade. Na questão da indústria que hoje ainda se tem muitos incentivos fiscais aos subsídios, né? Aqui em Goiás, muitas indústrias vieram por causa desses incentivos, como em Aparecida de Anápolis. Qual seria a proposta do Novo dessa questão da indústria sem os subsídios? 

Se você atrai uma indústria só por subsídio você está atraindo a indústria pelos motivos errados. A primeira coisa que nós precisamos é abrir o mercado. Se uma empresa quer competir, ela precisa muito mais do que subsídio. Se alguém quer começar a comprar uma máquina barata, é necessário derrubar a alíquota para 15% e começar a melhorar os computadores, investir em tecnologia que hoje é primitiva no Brasil por causa do custo. Para quem quer competir é muito melhor. Se alguém chega pra você e fala: “Não, só vou fazer negócio aqui se você me der subsídio” é porque ele não está afim de competir, está afim de viver da reserva de mercado. Essa é a mudança de mentalidade que precisa ser feita. No Brasil, a indústria é a que quer competir. Nós precisamos ter acesso a crédito internacional, precisamos ter acesso à melhor tecnologia para ter uma empresa competitiva, porque senão cada vez mais tenho que importar uma máquina.

Felipe d’Ávila em entrevista com repórteres do Jornal Opção | Foto: Fernando Leite

Opção – No Brasil, o senhor ainda tem a proposta de reduzir o carbono em 70%. Isso não é um desafio muito grande para o país?

O Brasil  é a maior superpotência ambiental do mundo. O mundo não vai resolver a questão ambiental de redução de emissão de gasto de efeito estufa sem o Brasil. É impossível. Nós temos capacidade de fixar metade do carbono. Nenhum outro país tem. O Brasil fixa metade do carbono do mundo plantando árvores. Usando terra degradada, sem mexer nada na área do agro. O agro continua lá.

Nós temos hoje 50 milhões de hectares de terra degradada. Se plantar metade disso, o Brasil já é carbono neutro. E o Brasil vai ser a primeira nação carbono neutro do mundo. Por que isso é importante? Porque, primeiro, que área degradada precisa fazer cultura, que é plantar árvores. Segundo, ajuda a ter um programa de combate à pobreza. A partir daí, você tem volume para criar o mercado de carbono, para certificar que a árvore está sendo plantada e vai dar R$ 500 reais ano, por hectare, de renda. Então vai ter renda, vai ter dinheiro e vai fazer com que o Brasil consiga fixar carbono. Isso abre o Brasil para o investimento internacional. A política ambiental é fundamental para atrair emprego, combater a pobreza e principalmente impulsionar a exportação do agro brasileiro.

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