Queda de braço: aumento do IPTU, presidência da Câmara e impasse no PMDB

Intensas articulações devem marcar os próximos dias. Prefeito Paulo Garcia quer elevar tributo; base aliada bate o pé. A líder do petista na Casa, Célia Valadão, é pré-candidata à presidência, mas sem consenso entre a bancada peemedebista

Foto: Alberto Maia / Câmara Municipal

Clécio Alves, presidente da Câmara de Vereadores | Foto: Alberto Maia / Câmara Municipal

O presidente da Câmara de Vereadores de Goiânia, Clécio Alves (PMDB), prefere acreditar que o endurecimento do discurso da base aliada do prefeito Paulo Garcia (PT) e as dificuldades que o Poder Executivo tem enfrentado para aprovar o projeto de aumento do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU/ITU) nada têm a ver com as eleições para a presidência da Casa.

“Até porque nós estamos tratando de um projeto que diz respeito diretamente à vida de cada cidadão do município. A mesa diretora é um processo de ordenamento da Casa. Ele não diz respeito à vida das pessoas. A relação que se tem é quanto às ações que a mesa a ser composta porventura venha a fazer. Eu quero acreditar, com muita convicção, que não haja essa mistura. Torço para que não aconteça”, avaliou.

Bloco Moderado

A escolha dos novos integrantes ocorre no dia 15 e o Bloco Moderado — que vota de forma independente os projetos da prefeitura — lançou, na semana passada, Rogério Borges (PRB) como pré-candidato. Ele, Welington Peixoto (PROS) e Paulo Magalhães (SD) reforçam o grupo alternativo para o pleito.

Zander Fábio (PFL), Divino Rodrigues e Paulo da Farmácia (ambos do PROS) e Bernardo do Cais (PSC) são os outros que compõem o bloco.

Oposição

A oposição articula nomes para pleitear o cargo. Os principais são os tucanos Anselmo Pereira e Geovani Antônio. O primeiro nega, mas demonstra total interesse em se tornar o próximo presidente da Câmara Municipal. E garante estar pronto para ocupar a vaga, mas diz não estar tomando nenhuma providência, apenas “observando”.

O segundo analisa que os vereadores estiveram muito envolvidos nos últimos meses com as eleições e, agora, os debates devem ter andamento. Por isso, atesta, as discussões sobre o assunto estão “devagar”.

Divisão no PMDB

O Jornal Opção Online apurou que a líder do prefeito, Célia Valadão (PMDB), se movimenta como pré-candidata. Mas o nome dela não é consenso dentro da bancada do partido, que tem mais cinco vereadores.  “O nome dela não agrega, não agrada, esse é o nosso grande problema. Se ela se eleger, vai continuar o mesmo [perfil do atual presidente]. E o mesmo não agrada, pode até ficar pior”, reclamou um peemedebista.

Clécio Alves diz que não quer reeleição e adiantou que a colega é uma boa candidata. “Eu apoio, inclusive já me pediu voto ontem, e o faço de olhos fechados. É do meu partido”, pontuou.

Outros nomes dentro do próprio partido são ventilados, como o de Paulo Borges e o secretário de Habitação, Denício Trindade (quem ocupa a vaga dele com suplente é Eudes Vigor). Comenta-se que ele pode se afastar do cargo para concorrer à presidência.

Queda de braço

A proposta de realinhamento do IPTU/ITU para 2015 (57,8%) e 2016 (29,7%) encontra-se na Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJ). A Câmara deve aprová-lo até 20 de dezembro para que possa entrar em vigor no ano que vem.

Paulo Garcia se mostra irredutível à vontade de sua base aliada, que quer reajuste entre 30% a 40%. Líder do petista na Casa, Célia Valadão (PMDB) afirmou na semana passada a possibilidade de uma revisão. Clécio Alves deu um recado: não vota a favor caso haja empate. “É preciso ter responsabilidade e espírito público”, disse o peemedebista, ao comentar sobre a possibilidade de o petista vetar qualquer readequação ao projeto original.

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