Qual cenário Caiado encontrará ao assumir governo de Goiás em janeiro

Com eleição definida no Estado no primeiro turno, senador do DEM deve iniciar articulações para aumentar base de apoio até a posse, no 1º dia de 2019

Se depender da maioria dos senadores e deputados eleitos no domingo (7/10), Caiado não deve enfrentar grandes dificuldades para compor base de apoio | Foto: Divulgação

O senador Ronaldo Caiado (DEM), eleito governador no primeiro turno na votação de domingo (7/10), tem muitos motivos para comemorar o resultado da apuração das urnas em Goiás. De início, o democrata tem 1.773.185 motivos para agradecer. A vitória, com 59,73% dos votos válidos, evidenciou que a maioria do eleitorado goiano comprou o discurso da mudança, da ética e da honestidade apresentados por Caiado nos 45 dias de campanha.

A sintonia com a maior parcela dos goianos foi tão grande, e o momento tão favorável, que o governador eleito recebeu mais de meio milhão de votos acima da soma de todos os votos dos seus seis adversários nas urnas. Com 1.195.548 votos, o deputado federal Daniel Vilela (MDB), o governador José Eliton (PSDB), a professora Kátia Maria (PT), o professor Weslei Garcia (PSOL), Marcelo Lira (PCB) e Alda Lúcia (PCO) ainda precisariam de outros 577.637 eleitores para empatar com a votação total de Caiado.

Nos votos válidos, o democrata conseguiu superar em 18,45 pontos percentuais todos seus concorrentes somados. Apesar do momento de festa para Caiado por ter alcançado o objetivo, que ficou distante em 1994, e por realizar o sonho de se tornar governador de Goiás no dia 1º de janeiro de 2019, é hora de, baixada a poeira, prestar atenção no cenário formado nas bancadas de senadores, deputados federais e estaduais em solo goiano.

Comecemos pela formação que teremos nas três cadeiras do Senador reservadas a Goiás. Com as derrotas da senadora Lúcia Vânia (PSB), que tentava a reeleição e do senador Wilder Morais (DEM), na mesma situação que a pessebista, teremos dois novos parlamentares no Congresso. Um deles é da chapa de Caiado: o vereador Jorge Kajuru (PRP). Na primeira escolha do eleitorado para as duas vagas do Senado em jogo no domingo, o democrata já ganhou um apoio ao seu governo a partir de fevereiro de 2019 – sim, os congressistas assumem o mandato a partir do segundo mês do ano a cada legislatura.

A outra vaga ficou com Vanderlan Cardoso (PP), ex-prefeito de Senador Canedo. Mesmo sendo adversário daqueles que estavam aliados a Caiado, o pepista, que se aliou a Daniel na corrida estadual, não tende a ser um problema para o governador eleito. Assim que assumir, Vanderlan deve aderir, ao menos de forma institucional, às pautas favoráveis ao governo caiadista e ao povo goiano. O próprio presidente do PP, ministro Alexandre Baldy (Cidades), não tem dificuldade ou barreiras ideológicas ou pragmáticas com qualquer governante, seja como integrante do governo federal ou líder de seu partido em Goiás.

A terceira vaga, que é de Ronaldo Caiado e não estava em disputa nesta eleição, passa a ser ocupada por seu primeiro suplente, o emedebista Luiz Carlos do Carmo. Irmão do bispo Oídes José do Carmo, da Assembleia de Deus Campo de Campinas, que apoiou o democrata na eleição para governador, Luiz Carlos seguirá a cartilha ditada pela nova situação no Palácio Pedro Ludovico Teixeira.

Câmara dos Deputados
Dos 17 deputados federais eleitos para compor a bancada goiana na Câmara, a coligação caiadista conseguiu oito cadeiras. Inicialmente, Caiado terá o apoio em Brasília dos seguintes parlamentares: Alcides Rodrigues (PRP), Dr. Zacarias Calil (DEM), Flávia Morais (PDT), Glaustin da Fokus (PSC), José Nelto (Podemos), José Mário Schreiner (DEM), Delegado Waldir (PSL) e Major Vitor Hugo (PSL), eleitos pelas chapas “Agora É Mudança I” e “Pátria e Família Cristã”. De partida, o novo governador terá quase a metade dos deputados federais legislando ao seu lado.

Os outros nove deputados federais eleitos são de outras coligações. Mas, com o esfacelamento do grupo conhecido como base aliada, que deu sustentação ao Tempo Novo desde a eleição de 1998, a tendência é que muitos deles possam declarar apoio ou não prejudicar a gestão Caiado em Goiás. Parlamentares como Francisco Jr. (PSD), João Campos (PRB) e Magda Mofatto (PR) – nada confirma que isto acontecerá – não teriam dificuldade em passar para o lado caiadista. Ainda mais porque grande parte das pautas e propostas que defenderam durante a campanha se aproximam bastante das apresentadas pelos candidatos que deram sustentação à candidatura do democrata.

Assim, Caiado já teria 11 deputados federais ao seu lado. Talvez as dúvidas possam surgir sobre qual será o novo posicionamento de Professor Alcides (PP), Lucas Vergílio (Solidariedade), Adriano do Baldy (PP) e Célio Silveira (PSDB). Caso as negociações com os quatro seja positiva ao democrata, sua base na Câmara cresceria para 15.

A oposição na bancada goiana, pelo histórico político dos eleitos, será mantida por Elias Vaz (PSB), que mesmo na coligação de Marconi e José Eliton se negou a apoiar os tucanos, e do petista Rubens Otoni, que representa um projeto completamente antagônico à trajetória do governador eleito.

Assembleia
No Legislativo estadual, a tratativa deve ser ainda mais fácil com a maioria dos 41 deputados estaduais. De sua coligação, Caiado viu serem eleitos Álvaro Guimarães (DEM), Chico KGL (DEM), Cláudio Meirelles (PTC), Dr. Antônio (DEM), Henrique César (PSC), Iso Moreira (DEM), Amauri Ribeiro (PRP), Major Araújo (PRP), Charles Bento (PRTB), Julio Pina (PRTB), Rafael Gouveia (DC), Zé Carapô (DC), Karlos Cabral (PDT), Cairo Salim (PROS), Rubens Marques (PROS), Vinicius Cirqueira (PROS), Delegado Humberto Teófilo (PSL) e Paulo Trabalho (PSL) de sua coligação.

Antes mesmo de assumir, o governador eleito tem 18 deputados estaduais de sua base eleitoral, o que lhe dá 43,9% de apoio na Assembleia Legislativa. Do grupo de Marconi, que tende deixar de existir, foram eleitos Diego Sorgatto (PSDB), Dr. Helio de Sousa (PSDB), Lissauer Vieira (PSB), Talles Barreto (PSDB), Tião Caroço (PSDB), Lêda Borges (PSDB), Virmondes Cruvinel (PPS), Wilde Cambão (PSD), Gustavo Sebba (PSDB), Lucas Calil (PSD), Delegado Eduardo Prado (PV), Henrique Arantes (PTB), Amilton Filho (Solidariedade) e Thiago Albernaz (Solidariedade).

São 14 parlamentares com os quais Caiado terá o caminho aberto para negociar. Se levar, na mais pessimista das possibilidades, metade para o seu lado, aumentará sua base de apoio no Legislativo goiano de 18 para 25 deputados eleitos. Do Patriota, Wagner Neto, independente depois de seu partido deixar a coligação do PSDB ao governo, pode ser mais um aliado de Caiado.

Dos partidos que apoiaram o emedebista Daniel Vilela, o governo caiadista terá abertura para articular com o PRB dos deputados Jeferson Rodrigues e Alysson Lima. Se conseguir atrair os dois parlamentares, Caiado teria, neste cenário imaginado aqui, os 25 conquistado mais o nome do Patriota e os dois do partido ligado à Igreja Universal, o que daria 28 cadeiras na Assembleia.

O PP elegeu Coronel Adailton, que viria caso Baldy trouxesse o apoio de Vanderlan e seus deputados federais para o lado de Caiado. Teríamos 29 deputados estaduais da nova gestão governista dos 36 parlamentares listados até aqui. O problema, que pode ser resolvido com mudanças partidárias, seria o MDB, que conquistou vagas com Paulo Cezar Martins, Bruno Peixoto e Humberto Aidar.

Dos três, Humberto, pela origem petista, pode não querer se aliar a Caiado. Mas Bruno e Paulo Cezar devem seguir o que o MDB decidir. Como Daniel não conseguiu ter grande votação para governador e não chegou ao segundo turno, a tendência é a de que, com ajuda de Caiado, o grupo emedebista do prefeito Iris Rezende, de Goiânia, retome a presidência da legenda e escancare o apoio ao governo caiadista. Se isso de fato acontecer, o democrata passaria de 29 a 31 deputados aliados, com exceção de Humberto Aidar.

Entre os 41 deputados estaduais eleitos, dois serão oposição de qualquer jeito: o ex-prefeito de Anápolis Antônio Gomide e a delegada Adriana Accorsi. Os petistas se colocarão na oposição ao governo Caiado, por questões partidárias e programáticas, até o final da gestão.

Ações contra discursos
O cenário econômico nacional não é animador para 2019, o que trará dificuldades para governadores e o presidente eleito, seja ele o deputado federal Jair Bolsonaro (PSL) ou o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT) no segundo turno. Mas, com uma base de apoio, que tende a ser facilmente construída e bem amarrada, Caiado pode surpreender – desde que não cometa muitos erros – em sua gestão a partir de janeiro. O primeiro ponto acertado será o de não adotar o discurso da terra arrasada e tentar botar a culpa de tudo nos seus antecessores, por mais que tenha defendido durante a campanha o discurso da mudança.

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