Quais os últimos atos de Dilma antes de ser afastada da presidência?

Às vésperas da aceitação do processo de julgamento do impeachment, presidente buscou apoio de grupos sociais e aprovou projetos de interesse de minorias

A presidente Dilma Rousseff viveu o período mais turbulento do seu mandato durante os últimos dois meses. A expectativa de afastamento do comando do Executivo teve início em 17 de abril, quando a Câmara dos Deputados aprovou a admissibilidade do processo de impeachment na Casa, e chegou ao fim na manhã desta quinta-feira (12/5), quando o Senado decidiu pela instauração oficial do processo e seu afastamento da presidência por até 180 dias.

Nos últimos dias à frente do Planalto, Dilma continuou em busca de apoio popular e manteve a denúncia de que todo o processo representaria um “golpe” ao seu governo. Com a base de apoio parlamentar corroída, a presidente também tomou medidas a fim de favorecer segmentos específicos da sociedade, muitos dessas rejeitadas pelos antigos aliados da Presidência.

Confira ações de Dilma em resposta a demandas de movimentos sociais que apoiam a presidente:

1- Reforma agrária, agricultura familiar e terras quilombolas

Durante anúncio de medidas para fortalecer o desenvolvimento rural, Dilma recebe apoio de representantes de movimentos sociais | Foto: Elza Fiúza/Agência Brasil

Durante anúncio de medidas para fortalecer o desenvolvimento rural, Dilma recebe apoio de representantes de movimentos sociais | Foto: Elza Fiúza/Agência Brasil

Em 1º de abril, a presidente Dilma Rousseff publicou 25 decretos de desapropriação de imóveis rurais para reforma agrária e regularização de territórios quilombolas, no total de 56,5 mil hectares. Foram destinados 35,5 mil hectares de terras para a reforma agrária em 14 estados e regularizados 21 mil hectares de territórios quilombolas no Maranhão, Pará, Rio Grande do Norte e Sergipe. No dia 3 de maio, o governo ainda anunciou R$ 30 bilhões para agricultores familiares financiarem projetos destinados à produção de alimentos básicos.

2 – Reconhecimento do nome social em órgãos públicos e campanha para saúde voltada a homens gays

Presidenta Dilma Rousseff assina decreto que institui e reconhece a identidade de gêneros de travestis e transexuais na administração pública direta e indireta | Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

Presidente Dilma Rousseff assina decreto que institui e reconhece a identidade de gêneros de travestis e transexuais na administração pública direta e indireta | Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

No dia 28 de abril, Dilma assinou decreto que autoriza a adoção do nome social por travestis e transexuais nos órgãos do Poder Público federal como ministérios, autarquias, empresas estatais, instituições de ensino e no Sistema Único de Saúde (SUS). A decisão permite que as pessoas tenham seu nome social em crachás e formulários, por exemplo.

O Ministério da Saúde também lançou no dia 26 de abrill a campanha “Cuidar bem da saúde de cada um. Faz bem para todos. Faz bem para o Brasil”, com foco na saúde integral de homens gays e bissexuais.

3 – Demarcação de novas terras indígenas

Lideranças indígenas de todas as regiões do país lançaram no dia 10/5 um apelo para que a presidenta Dilma Rousseff assinasse outros 12 decretos de demarcação de terras | Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Lideranças indígenas de todas as regiões do país lançaram no dia 10/5 um apelo para que a presidente Dilma Rousseff assinasse outros 12 decretos de demarcação de terras | Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Além de instalar o Conselho Nacional de Política Indigenista, Dilma confirmou a demarcação de três terras indígenas. As reservas Piaçaguera, localizada em Peruíbe (SP), e Pequizal do Naruvôtu, em Canarana e Gaúcha do Norte, em Mato Grosso, tiveram sua demarcação no dia 2 de maio. A reserva da Terra Indígena Cachoeira Seca, no Pará, foi homologada no dia 5 de maio. No período, o Ministério da Justiça também declarou cinco grandes áreas como território tradicional indígena.

4 – Reajuste do Bolsa Família, correção da tabela do imposto de renda e ampliação da licença paternidade

Dilma discursa em ato organizado pela CUT, no Vale do Anhangabaú, para celebrar o Dia Mundial do Trabalho | Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Dilma discursa em ato organizado pela CUT, no Vale do Anhangabaú, para celebrar o Dia Mundial do Trabalho | Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

No 1º de maio, Dilma Rousseff anunciou várias medidas em comemoração do dia do trabalhador. O pacote contemplou o reajuste de 9% para os beneficiários do Programa Bolsa Família e a correção da tabela do imposto de renda em 5%, ambas para 2017, e a ampliação da licença-paternidade para 20 dias aos funcionários públicos federais.

As medidas garantiram que a isenção do imposto de renda passasse de R$ 1.903,98 para R$ 1.999,18, além de ampliação de alíquota do Imposto de Renda da Pessoa Física para heranças acima de R$ 5 milhões e doações acima de R$ 2 milhões.

5 – Assinatura de contratos para construção de 25 mil moradias do Minha Casa, Minha Vida

Presidenta Dilma Rousseff durante a cerimônia de contratação de 25 mil unidades habitacionais do programa Minha Casa, Minha Vida | Foto: José Cruz/Agência Brasil

Presidente Dilma Rousseff durante a cerimônia de contratação de 25 mil unidades habitacionais do programa Minha Casa, Minha Vida | Foto: José Cruz/Agência Brasil

No dia 6 de maio, a presidente assinou contratos para a construção de 25 mil unidades habitacionais no programa Minha Casa, Minha Vida nas modalidades Entidades e Rurais. Nesta proposta as moradias serão construídas em parceria com cooperativas, associações e movimentos sociais, com 100 mil pessoas beneficiadas.

6 – Prorrogação de permanência de estrangeiros no Programa Mais Médicos

Presidenta Dilma Rousseff participa da cerimônia de anúncio da prorrogação da permanência dos médicos brasileiros formados no exterior e estrangeiros no Programa Mais Médicos | Foto: José Cruz/Agência Brasil

Presidente Dilma Rousseff participa da cerimônia de anúncio da prorrogação da permanência dos médicos brasileiros formados no exterior e estrangeiros no Programa Mais Médicos | Foto: José Cruz/Agência Brasil

No dia 29 de abril, a presidente assinou Medida Provisória que permite que esses médicos continuem atuando no programa sem que o diploma tenha que ser revalidado no Brasil por mais três anos. A proposta permite a permanência de 7 mil profissionais estrangeiros no atendimento à população.

7 – Cotas na pós-graduação e criação de novas universidades

Presidenta Dilma Rousseff participa da cerimônia de anúncio da prorrogação da permanência dos médicos brasileiros formados no exterior e estrangeiros no Programa Mais Médicos | Foto: José Cruz/Agência Brasil

Presidente Dilma Rousseff participa da cerimônia de anúncio da prorrogação da permanência dos médicos brasileiros formados no exterior e estrangeiros no Programa Mais Médicos | Foto: José Cruz/Agência Brasil

O Ministério da Educação publicou em 11 de maio uma portaria para que universidades e institutos federais apresentem em 90 dias proposta de uma política de inclusão de negros, indígenas e pessoas com deficiência nos programas de pós-graduação. Apesar de estipular prazo para a definição, a portaria não estabelece uma data para que as cotas sejam implementadas.

A presidente também autorizou a criação de cinco novas universidades federais em Goiás (2), no Piauí, no Tocantins e no Mato Grosso, além da inauguração de 41 campi de institutos federais de educação, ciência e tecnologia.

8 – Regulamentação do Marco Civil da Internet

Na quarta-feira (11/5), a presidente Dilma Rousseff regulamentou o Marco Civil da Internet, o que pode ter sido um dos seus últimos atos à frente do governo federal. O decreto publicado na edição extra do Diário Oficial da União trata da neutralidade de rede e do tratamento dos dados pessoais dos usuários.

O texto estabelece que o Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) será responsável por determinar as diretrizes da internet no País. O Marco Civil da Internet foi aprovado pelo Senado no dia 23 de abril de 2014. As regras que regulamentam a lei foram elaboradas por meio de quatro consultas públicas elaboradas pela Agência Nacional de Telecomunicações, CGI e Ministério da Justiça.

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