Quadrilha goiana que fraudava vestibular de medicina beneficiou mais de 100 alunos

Operação da PC prendeu cinco suspeitos, que atuavam em pelo menos quatro universidades de GO, DF e MG

A Polícia Civil apresentou, na manhã desta sexta-feira (7/7), o resultado de uma operação que desmantelou uma quadrilha goiana especializada em fraudar vestibulares de medicina em todo o Brasil.

Segundo o delegado responsável pelo caso, Cleybio Januário, foram identificados mais de 110 alunos de 13 estados que fraudaram provas da Universidade de Rio Verde (UniRV), localizada em Goianésia e Aparecida de Goiânia, na Universidade José do Rosário Vellano (Unifenas), em Minas Gerais, na Universidade Católica de Brasília (UCB) e também na Faculdades Integradas da União Educacional do Planalto Central (Faciplac), em Brasília (DF).

Dos 110 casos identificados, há 52 beneficiários matriculados nessas faculdades. Outros 15 haviam sido “aprovados” e aguardavam para fazer matrícula. A investigação focou apenas nos vestibulares ocorridos no último semestre de 2016 e no primeiro semestre de 2017, mas depoimentos apontam que a quadrilha ja atuava há mais de 10 anos.

A investigação aponta que o esquema funcionava com o auxílio de alunos com expertise em determinadas matérias, os chamados “pilotos”: eles faziam os certames e iam para o banheiro passar as respostas para os que compravam o “serviço” por meio de aparelhos celulares.

O valor cobrado pela quadrilha girava em torno de 80 e 90 mil reais por aluno. De acordo com o delegado, nem todos que fraudavam conseguiam aprovação porque a quadrilha garantia apenas a aprovação na prova objetiva, mas não na redação. No entanto, a certeza de impunidade era tamanha que só se pagava quando a matrícula fosse feita.

Com a deflagração da operação, cinco pessoas foram presas preventivamente e quatro estão foragidas. Todos integravam a quadrilha. Apesar dos pedidos da Polícia Civil, não houve mandado judicial de condução contra nenhum aluno beneficiado pelo esquema.

Segundo o delegado responsável pelas investigações, os nomes dos supostos envolvidos e os pais dos estudantes, que normalmente conduziam as negociações e realizavam os pagamentos, serão encaminhados para as comarcas regionais e indiciados por fraude em certame de interesse público.

Foram presos o empresário Rogério Cardoso de Matos, apontado como chefe do esquema, Osmar Pereira e Elisangela Nunes Borges, aliciadores, Fernando Batista Pereira, responsável por negociar com os “clientes” e o estudante Matheus Ovídio, um dos pilotos.

Estão foragidos Ricardo e Rodolfo Gomes Matos, filhos de Rogério, Carlos Menem Alves e Lucas Souza Soares, todos atuavam como aliciadores.

Denúncia

Todas as investigações partiram da denúncia do próprio reitor da UniRV, Sebastião Lázaro Pereira. O pai de uma aluna de cursinho relatou que a filha teria sido abordada por um integrante da quadrilha via aplicativo de mensagens WhatsApp. A partir desta informação, o reitor procurou a polícia, que começou a investigar o caso.

Em entrevista coletiva na manhã desta sexta-feira (7/7), o reitor garantiu que todos os alunos envolvidos no esquema serão expulsos da universidade e os 15 que conseguiram aprovação no vestibular de meio de ano de 2017, que fariam matrícula na próxima semana, serão desclassificados e a universidade convocará os próximos na lista de espera.

“Os que já estão cursando serão expulsos, não podem continuar, serão excluídos do quadro. E os que passaram no vestibular agora, também afirmo que gastaram dinheiro ‘à toa’, pois não vão ingressar na universidade”, disse.

“Uma pessoa que já entra na universidade fraudando será um péssimo profissional, para dizer o mínimo. Tem que ser excluída do convívio da universidade e da profissão, ainda mais se tratando de medicina”, completou.

Sebastião Lázaro afirmou ainda que a instituição pretende reforçar a segurança durante os certames, mas não considera mudar o formato do processo de seleção. A UniRV oferece o curso de medicina nas unidades de Rio Verde, Goianésia e Aparecida de Goiânia.

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Newton

Interessante isso, o rumor de venda de vagas de medicina aí já existia a tempo. Demoraram um pouco para denunciarem. Mas ai na UniRV existe várias outras irregularidades. Algumas que levaram o antigo procurador geral da universidade me chamar para me ameaçar de exoneração por pedir acesso à informação sobre oque achava que estava irregular. Pedidos de acesso esses que demoraram 4-6 meses para serem “concluídos”, sendo que colocaram como atendidos e nem sequer recebi o pedido. Claro, a “política de boa vizinhança” é forte! Essa também é a faculdade aonde último colocado de concurso de Auxiliar Administrativo que previa… Leia mais

Luis Lourenço

Boa noite, fiquei incrédulo pois levei meu filho para prestar a prova entre os anos de 2015 e 2017 ( nas três ) unidades e acreditava na lisura do certame, espero que esta universidade esteja fora desta fraude.