PT pede mandato de Felisberto Tavares nesta sexta-feira (30/1)

O presidente do PT metropolitano, Luís Cesar Bueno, garante que a legenda não quer a expulsão do vereador — quer seu mandato. Felisberto diz que não vai aceitar

Depois de ter votado contra o projeto de reajuste do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e Territorial Urbano (ITU) e de ter apoiado o governador Marconi Perillo (PSDB) nas eleições de 2014, o vereador Felisberto Tavares corre o risco de perder o mandato, que vai até final de 2016.

Uma reunião na próxima sexta-feira (30) irá dar início a uma ação contra o futuro ex-petista, agora que o trâmite interno já expirou. Felisberto já adiantou que não irá comparecer. O vereador, que também é policial, disse que estará de plantão no horário do encontro.

Em entrevista ao Jornal Opção Online, Felisberto disse que o PT iria pedir sua expulsão da legenda. Entretanto, o presidente do PT metropolitano, o deputado Luis Cesar Bueno, afirmou que querem o mandato do vereador. “Se pedirmos expulsão, ele não perde o mandato. Queremos o mandato”, disse.

“O parlamentar deve ser livre, e eles não querem nem saber; não pensam no que é melhor para a sociedade. Eu fui eleito pelo povo! Eu não aceito cabresto”, bradou, assinalando que a questão principal que gira em torno desse processo é o seu novo no projeto do IPTU.

Entretanto, conforme disse Luís Cesar à reportagem, o que tem mais visibilidade no processo de Felisberto é o apoio dado ao governador Marconi Perillo (PSDB) nas eleições do ano passado. “Ele descumpri todas as regras do processo eleitoral, feriu a lei de fidelidade partidária, colocou 45 no rosto, fez campanha para o Marconi e para o Aécio”, afirmou.

Felisberto garante que o partido não tem direito de pedir seu mandato por isso. “Não tem justa causa. Eu nunca cometi nenhum crime de corrupção, nada que denegrisse o partido.”

A explicação do vereador quanto ao apoio a Marconi é que na época estava suspenso da legenda (por ter votado contra o projeto do prefeito), e por isso agiu da forma que achou melhor. “Fiz um acordo com Marconi. Ele falou que ia ajudar minha região com esgoto e ia levar uma escola militar. Por isso o apoiei”, afirmou.

De acordo com Felisberto, por ele não poder usar o nome do partido, agiu por conta própria. “Eu ia ficar calado porque estava suspenso? E o pessoal que me segue? Eu ia falar o que? Tinha que me posicionar!”, pontuou, frisando que no primeiro turno das eleições apoiou Antônio Gomide (PT).

“Entre Marconi e Iris, no segundo turno, eu achei que o Marconi seria melhor”, se defendeu, concluindo que o próprio Iris não achou ruim seu posicionamento. “Conversei com ele; não ficou com raiva nem nada, e esse povo com ódio assim. Como se meu apoio tivesse sido decisivo nas eleições.”

Em entrevista, o petista disse que não aceitaria a retirada do mandato. “Querem me expulsar, tudo bem, não vou brigar; aceito. Mas retirar meu mandato não vão. Se eles tentarem isso de forma cautelar, vou brigar na Justiça, porque não existe justa causa. Estão me expulsando por capricho”, garantiu.

O presidente do PT metropolitano, por sua vez, disse que irão pedir aquilo que é resguardado pela legislação eleitoral. “O regimento é muito claro. Ele cometeu sim o delito de infidelidade partidária. Já imaginou o Mercadante apoiando Aécio? Isso não existe!”

Questionado sobre a afirmação de Felisberto, de que ele foi eleito pelo povo, o deputado estadual afirma. “Essa não é a questão. Isso é falta de identidade ideológica. O povo votou em uma legenda, em um propósito. O 13 tem um significado. Além de que ele [Felisberto], ao se filiar ao partido, assinou um compromisso de ética e de conduta partidária”, assegurou.

Felisberto, indignado com o processo, diz ainda que não teve o apoio massivo do PT durante sua campanha. “Apoiaram bastante o Tayrone e o Carlos Soares, coisa que eu não tive”, afirmou, garantindo que ele mesmo não queria o partido se movimento em seu benefício. “Não queria dever eles.”

Luís Cesar rebate as afirmações e diz que se ele quisesse agir sozinho, teria que ter se candidatado sem partido. “Ele ia precisar de muitos mais votos; uns 35 mil. Ele teve uns 5 mil”, pontuou. Conforme dados eleitorais, o vereador obteve 4.963 votos.

E o Tayrone?

Quanto ao outro vereador petista com processo de expulsão, Tayrone di Martino, que também votou contra projetos do prefeito Paulo Garcia — mas de forma ainda mais contundente, tendo sido contra o último reajuste do IPTU, por exemplo, quando Felisberto votou a favor — Luís Cesar não soube dizer se iriam pedir pelo seu mandato.

De acordo com o presidente do PT, o processo de Tayrone é diferente. “Tayrone recorreu para não ser expulso. O Felisberto não, porque ele queria ser expulso para não perder o mandato”, afirmou. Luís Cesar informou que a decisão referente ao vereador será divulgada na próxima sexta (30). “A comissão tem autonomia. Eu não sei nada ainda. Estão analisando o processo.”

Felisberto disse à reportagem que no dia que foi inquirido pela Comissão de Ética do PT, Tayrone chegou em seguida para o mesmo procedimento. “Não sei como ficou”, explicou Felisberto.

O Jornal Opção Online tentou entrar em contato com o vereador, mas não obteve retorno.

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