Psiquiatra forense diz que serial killer pode ter matado mais de 39 pessoas

“Quando vamos examinar esses indivíduos, procuramos inflar seu ego ou desafiá-los: você matou tanta gente, mas tem uma pessoa que matou mais do que você”, diz Guido Palomba

Tiago Henrique Gomes da Rocha

Tiago Henrique Gomes da Rocha: suposto assassino em série que matava em Goiânia

O médico Guido Palomba, que foi por dez anos o médico-chefe do Manicômio Judiciário de São Paulo, afirmou em entrevista ao jornal “Folha de S. Paulo” que o caso do assassino em série Tiago Henrique Gomes da Rocha, de 26 anos, que atuava nas ruas de Goiânia, é rico em psicopatologias, ou seja, doenças relacionadas ao sofrimento mental. “E mais: se ele falou em 39 vítimas, com essa precisão, é porque o número é maior”, suspeita.

No final da semana passada, o delegado titular da Delegacia Estadual de Investigação de Homicídio (DIH), Murilo Polati, disse que Tiago Henrique confessou, em um segundo depoimento, a morte de 29 pessoas, entre mulheres e pessoas em situação de rua. “Ao lado da nova defesa, ele negou cinco mortes, não quis se manifestar a respeito de quatro, e um dos crimes ditos por ele não foi consumado”, salientou.

De acordo com Guido Palomba, que trabalha há quase 40 anos como psiquiatra forense, casos como o de Tiago Henrique são “incuráveis, incorrigíveis, irrecuperáveis e de altíssima periculosidade”.

Durante os depoimentos para os delegados da força-tarefa, o suposto serial killer dizia as vítimas por números (décima primeira, por exemplo). Em seguida, fechava os olhos e contava os detalhes do crime. “Isso faz parte do perfil psicológico desses indivíduos. Eles são absolutamente frios, não há ressonância afetiva”, confirmou Guido Palomba.

Ainda segundo o especialista, assassinos em série costumam se vangloriar de seus crimes. “Quando vamos examinar esses indivíduos, procuramos inflar seu ego ou desafiá-los: você matou tanta gente, mas tem uma pessoa que matou mais do que você. Neste contexto, confessam as mortes. São pessoas que gostam de se sentir importantes, nem que seja por uma prática criminal e bizarra”, explicou.

Na última quarta-feira (22), Tiago Henrique foi transferido para o Núcleo de Custódia do Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia (CPP). De acordo com Murilo Polati, ao chegar ao presídio ele quis manifestar um poderio e disse que mataria dentro do presídio como matou do lado de fora. Segundo o psquiatra, matar, para Tiago, é um ato banal. “Hoje, isso deve passar pela cabeça dele não como se ele fosse o autor, mas como se estivesse assistindo uma sequência de cenas sem importância”, acredita.

O médico Guido Palomba assegura, com absoluta certeza, que o vigilante Tiago Henrique, não deve mais voltar às ruas. “Deve ficar internado em casas de custódia e tratamento psiquiátrico por quanto tempo ainda viver”, finaliza.

 

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