Psicóloga goiana curada da covid-19 conta como enfrentou quarentena

A primeira coisa que pensei foi o ‘que fazer com tanto tempo?’ eu já tinha ciência de que devia usar isso de forma construtiva

Nayana Oliveira, psicóloga que enfrentou o isolamento e se curou da covid-19 | Foto arquivo pessoal: redes sociais

Após cumprir quarentena a psicologa Nayana Oliveira, diagnosticada com a covid-19, diz se sentir alegre por ter passado pelos 14 dias de quarentena sem apresentar nenhum sintoma da doença. O fim do isolamento compulsório foi no último sábado, 21. A jovem está entre as três primeiras pessoas a ter o resultado positivo para coronavírus em Goiás – nesta quinta-feira, 26, o estado já registra 39 casos.

“Apesar da quarentena continuar para todos, inclusive para mim, saber que temos o poder da escolha consciente de ir e vir é muito importante, alimenta a alma e acalenta o coração”, avalia Nayana Oliveira.

Ela conta que logo que voltou de uma viagem aos Estados Unidos, passou pelo exame e teve o diagnóstico positivo para a covid-19. Seguiu o protocolo do Ministério da Saúde e, no dia 8 de março, iniciou a quarentena, se isolando totalmente do convívio social e permanecendo sozinha em casa. A psicologa que é especialista em Reabilitação Neuropsicólogica, conta que quando começou a quarentena a primeira atitude foi se cuidar através de uma perspectiva biopsicosocial, ou seja, cuidando do seu corpo biológico, psicológico e social.

“A primeira coisa que pensei foi o ‘que fazer com tanto tempo?’ eu já tinha ciência de que devia usar isso de forma construtiva. A primeira semana passou rápido. Me hidratei, me alimentei com bastante proteína, fiz atividades físicas todos os dias e continuei com as práticas de meditação”, relata.

A partir do oitavo dia de isolamento, Nayana Oliveira decidiu que por estar assintomática poderia usar seu tempo livre ajudando outras pessoas. “Abri meu instagram e comecei a promover a psicoeducação. No primeiro dia falei sobre um neurotransmissor chamado GABA que ajuda a controlar pensamentos negativos, depois falei a respeito do estresse e possíveis prevenção e por fim a respeito de que tudo que pensamos, sentimos e fazemos criam caminhos neuronais que impactam diretamente a forma que ser humano reage em sua comunidade”, conta a psicóloga.

Nayana Oliveira superou o coronavírus, aproveitou o tempo de isolamento ajudando outras pessoas, mesmo que a distância, e nos aponta a lição que tirou da situação: “Apesar de sermos as maiores vítimas do coronavírus, somos também os maiores guerreiros. Temos o poder de combater essa pandemia. O que estão pedindo para nós não é nada que esteja fora do nosso alcance.  Podemos aproveitar esse momento para podermos evoluir como pessoas, nos tornando mais cautelosos e colaborativos”, avalia.

Protocolo de exames

O número de vítimas do novo coronavírus consideradas “recuperadas” na China chegou a 67 mil na semana passada. No resto do mundo, a maior parte dos doentes ainda está em tratamento. Em Goiás temos a primeira recuperação.

Os médicos têm dispensado pacientes quando deixam de apresentar uma série de sintomas, mas continuam acompanhando-os à distância. A “alta”, tecnicamente, ocorre depois de um período extra de observação por mais 14 dias, além das duas semanas de quarentena.

Nayana Oliveira, que passou bem pelo isolamento cobra uma atenção das autoridades sanitárias. Para ela, ao fim da quarentena, é necessário que se faça um novo exame para detecção do vírus. “É um apelo para que pessoas que foram testados com positivo tenha o direito do reteste na verificação do resultado após a quarentena. Acredito que isso é importante, apesar dos estudos apontar que o vírus não é mais transmitido após a quarentena, ainda sim é tudo muito prematuro e vários estudos estão em andamento e um exame após quarentena seria relevante para segurança e bem estar de toda comunidade “, afirma.

Não existe tratamento contra o vírus, apenas para atenuar os sintomas, e a maioria daqueles que se recobram devem isso a seus próprios sistemas imunes, que conseguem combater o vírus. O critério para considerar os pacientes aptos a voltar para a vida normal é puramente clínico, já que o protocolo não prevê novo exames laboratoriais (o PCR, que detecta material genético do vírus).

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La Cara y La Corona Os profissionais da área da saúde há tempos discutem os impactos e prejuízos para saúde física e mental da agitação da vida moderna. Potencializando o estresse com a falta de tempo e corroborando para o aumento da ansiedade exarcebada  bem como do desequilíbrio do ponto de vista biológico, psicológico e social.  Interessante pensar que o Coronavírus (COVID-19 ), um vírus  que ocasionou um surto de doença respiratória, desacelerou o mundo e trouxe de volta para casa a família. Não só isso, mas que exige o isolamento como tratamento proporcionando ao indivíduo a oportunidade de ficar próximo de si mesmo. Quanta novidade pra quem sai de manhã com os filhos dormindo e volta pra casa com eles já na cama. Agora com todo esse tempo livre nas mãos. Venho por meio dessa carta despertar a importância de saber fazer uma limonada quando a vida lhe traz um limão. Use seu tempo de forma positiva, amorosa e com gratidão. Vamos olhar para a cara e não apenas para o corona vamos nos acalmar, aproveitar essa desaceleração global, esse retorno para dentro de casa , essa aproximação de você com si mesmo para praticar o amar. “Não falta amor falta amar”. Converse olhando nos olhos, veja o por do sol, conte histórias, dê risadas, verbalize seu sentimentos, cante, dance, brinque as prevenções como higienização e distanciamento de 1 ou 2 metros entre as pessoas não precisam ser maiores do que sua conexão entre elas. Hora de refletir e resgatar. Vamos manter nossas mentes limpas, com zelo, cuidado e prevenções para que possamos não apenas combater essa pandemia mas também evoluir como seres humanos mais amorosos, cautelosos e colaborativos. (Nayana Oliveira)

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