Proprietário da Opus diz que prefeitura “sumiu” documentos

Dener Justino falou que Seplam pediu novos documentos e confirmou ainda ter questionado a demora na liberação de alvará em reunião com secretário de Iris Rezende

Empresário Dener Justino (esq), da Opus, e seu advogado, durante depoimento | Marcello Dantas

Em depoimento: empresário Dener Justino (esq), da Opus, e seu advogado | Marcello Dantas

O proprietário da Opus Construtora, o empresário Dener Álvares Justino, afirmou que a Prefeitura de Goiânia “sumiu” com uma pasta inteira de documentos protocolada para a liberação de alvará na extinta Secretaria Municipal de Planejamento (Seplam), durante a gestão do ex-prefeito Iris Rezende (PMDB). Ele prestou depoimento à CEI das Pastinhas, na Câmara de Vereadores, por pouco mais de uma hora nesta sexta-feira (13).

“Fiquei surpreso de como vários documentos anexados aos processos à época não estavam lá”, sugeriu. Porém, a CEI aponta que tem todo o processo em mãos. Em outro caso, a secretaria solicitou que fosse protocolado nova pasta completa para que o processo não ficasse contaminado, conforme relatou.

Porém, após o depoimento, disse que a juntada de documentos foi localizada posteriormente. “Sumiu depois foi encontrada em algum arquivo”, culpou o empresário.

“O depoente tentou culpar a desorganização da prefeitura, mas é uma contradição. Ele mesmo encaminhou esses documentos depois do prazo. As evidências são muito claras de irregularidades nos alvarás que a empresa dele conseguiu”, afirma o presidente da CEI, o vereador Elias Vaz (PSB).

Reunião com secretário

Dener negou que tenha contratado funcionários de prefeitura para execução de serviços particulares. Contudo, disse ter conhecido a arquiteta e urbanista Kellen Mendonça Sousa, então diretora do Departamento de Aprovação de Projetos. O encontro aconteceu com algum dos titulares da Seplam, durante a gestão de Iris Rezende.

“Não me lembro [o nome do secretário]. Era para discutir o andamento do processo, tem bastante tempo”, respondeu, ao ser questionado pelo Jornal Opção, em coletiva de imprensa. O empresário justificou que, na época, foi até a secretaria saber os motivos da demora da liberação do alvará de construção. “Pois tinha um lançamento para sair. Em Goiânia, se formos otimistas, a demora é de seis meses. Em Salvador [BA], por exemplo, são 15 dias, com tudo digitalizado.”

Sociedade com Louza

A Opus teve sociedade com a Flamboyant Urbanismo, do Grupo Flamboyant, do empresário Lourival Louza, até 2009. Dener ajudou na incorporação imobiliária dos empreendimentos JK New Concept Business, Flamboyant Park Business, Park House Flamboyant e o Residencial Imperador do Park — todos já entregues, no Setor Jardim Goiás. Dener garante que não iniciou nenhuma das obras.

“Acho que não estavam preparados para exercer atividade de incorporação, por isso deixaram de atuar no ramo. Essa é uma opinião minha”, disse. A Opus era responsável pela parte burocrática, como o protocolo e a complementação de documentos na prefeitura. Segundo o empresário, as obras em parceria com Louza eram executadas por empreiteiras contratadas por licitação.

Foram questionados ainda casos considerados curiosos pelos vereadores, como a retificação de alvará que se quer existia, o protocolo de processos que não tinham o endereço da obra definido previamente, além de documentos indicando a intenção inicial de levantar torres em uma localização, mas sendo construída em outra.

Leia mais:
Ex-sócio da J. Virgílio afirma conhecer “pessoalmente” servidores da prefeitura
Wilder: “Orca não construiu nenhum empreendimento e só gastou dinheiro”
Nagib Rahimi: “Sou incapaz de analisar grandes processos, como o da Orca”
Analista reforça suspeitas contra ex-diretores da Seplam
Torres do Europark podem superar população de 80 cidades goianas

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.