Propina em esquema de frigoríficos beneficiava partidos políticos, diz PF

PMDB e PP foram citados, mas outros partidos podem estar envolvidos. Ministro do governo Temer e deputado pelo PMDB, Serraglio foi pego em grampo

Entrevista coletiva na superintendência da PF em Curitiba | Foto: reprodução / Youtube

Em coletiva de imprensa na manhã desta sexta-feira (17/3), o delegado federal e superintendente regional da Polícia Federal em Curitiba, Maurício Moscardi Grillo, responsável pela Operação Carne Fraca, afirmou que parte do dinheiro arrecadado pelo esquema de corrupção envolvendo fiscais federais e frigoríficos abastecia partidos políticos, citando o PMDB e o PP.

“Dentro da investigação ficava bem claro que uma parte do dinheiro da propina era, sim, revertido para o partido político. Caracteristicamente, já foi falado ao longo da investigação dois partidos que ficavam claro: o PP e o PMDB”, disse o delegado. Ainda não há estimativa do valor repassado e outras siglas podem estar envolvidas nos esquemas.

O atual ministro da Justiça, Osmar Serraglio (PMDB-PR) foi pego em grampo da investigação em conversa telefônica com um fiscal agropecuário apontado como o chefe do esquema, Daniel Gonçalves Filho, superintendente do Ministério da Agricultura no Paraná entre os anos de 2007 e 2016. Serraglio assumiu o ministério no início deste mês de março e não é alvo da operação deflagrada nesta sexta.

A operação Carne Fraca investiga o envolvimento de fiscais do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa) em um esquema de liberação de licenças e fiscalização irregular de frigoríficos. Alguns dos principais grupos do setor do país estão na mira da operação, como o BRF (que detém as marcas Sadia e Perdigão) e o JBS (Seara, Swift, Friboi e Vigor).

Entre os crimes identificados na operação, estão re-embalagem de produtos vencidos; excesso de água; inobservância da temperatura adequada das câmaras frigoríficas; assinaturas de certificados para exportação fora da sede da empresa e do Mapa, sem checagem in loco; venda de carne imprópria para o consumo humano; uso de produtos cancerígenos em doses altas para ocultar as características que impediriam o consumo pelo consumidor. Segundo a PF, todas as 40 empresas investigadas tinham alguma irregularidade.

A Justiça Federal do Paraná determinou também o bloqueio de R$ 1 bilhão das investigados. Segundo a PF, a Carne Fraca é, em números, a maior operação já realizada pela corporação no país. Cerca de 1.100 policiais federais cumprem 309 mandados judiciais em sete estados – 27 de prisão preventiva, 11 de prisão temporária, 77 de condução coercitiva e 194 de busca e apreensão nas casas e escritórios dos investigados e em empresas que fariam parte do esquema.

Foram identificados nas investigações três grupos criminosos de servidores da superintendência do Mapa no Paraná. O grupo apresentava modus operandi semelhante ao esquema identificado em Goiás, cujo líder era o chefe do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Dipoa) no Estado, Dinis Lourenço da Silva.

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