Promotor do MP-GO aponta falta de segurança em Escola de Veterinária da UFG

Estudante morreu em julho depois que operador de máquinas ligou triturador sem checar

Lucas Silva Mariano tinha 21 anos e cursava medicina veterinária na UFG | Foto: Reprodução

O promotor dos crimes punidos com detenção do Ministério Público (MP-GO), Vilanir de Alencar Camapum Junior, afirmou que o mais relevante no processo que investiga a morte do estudante Lucas Silva Mariano é a falta de diretrizes de segurança do trabalho na Escola de Veterinária e Zootecnia (EVZ) da UFG. A informação é do Sindicato dos Docentes das Universidades Federais de Goiás (Adufg).

Segundo Vilanir, ele teve acesso ao caso há apenas dois dias, por isso ainda não tem nenhuma conclusão. Mas adiantou que a linha de investigação a ser seguida está ligada, principalmente, à inexistência de um Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA).

De acordo com inquérito da Polícia Civil de Goiás, Lucas morreu após um operador de máquinas da faculdade de medicina veterinária acionar o triturador enquanto o jovem ainda estava dentro da máquina, sem verificar se havia ou não alguém no aparelho. O funcionário não responderá por homicídio, mas por negligência.

Em resposta às notificações do Ministério Público do Trabalho (MPT), que investiga o ambiente e as condições da EVZ, a UFG afirmou que em 2017 já realizou treinamentos aos funcionários sobre segurança do trabalho. A instituição informou, ainda, que um mapa de riscos dos setores da EVZ está em processo de elaboração, juntamente com o Programa, e será implementado “o quanto antes possível”.

“O mais relevante é que não existia um procedimento de segurança definido para o procedimento que estava sendo realizado. Eles não poderiam deixar ninguém trabalhar antes de ter um PPRA”, explica o promotor do MP.

Contradições e lacunas

Em relação à inexistência de um professor coordenando as atividades dos estudantes, o promotor não soube dizer se essa seria uma questão primordial no caso. Camapum ainda afirmou que existem divergências nos depoimentos dos estudantes: se ele estava sentado à beira da máquina ou dentro do misturador; se era necessário entrar no container para realizar o serviço de mistura ou se isso poderia ser feito de outra forma.

Por isso, o inquérito será devolvido ao 25º Departamento de Polícia Civil para que essas informações sejam esclarecidas. O delegado responsável pelo caso é Delci Alves Rocha, mas durante suas férias o caso esteve no 26º DP, sob responsabilidade de Cláudio Antônio Domingues da Silva.

Ao analisar o primeiro e o segundo laudos do MPT, o Jornal do Professor encontrou uma lacuna. Segundo o depoimento do funcionário que operava a máquina na qual Lucas se acidentou, ele realizava trabalhos aos sábados para um professor da universidade, pois seu turno era apenas de segunda a sexta-feira. A empresa Floê, da qual era contratado, confirmou em resposta ao MPT.

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