Promotor argentino que denunciou a presidente Cristina Kirchner é encontrado morto

Nisman iria comparecer ao Congresso na manhã desta segunda-feira para detalhar a denúncia referente ao atentado contra um centro de convivência de judeus, em 1994

Foto: Youtube/ programa "A dos voces" da emissora TN

Foto: Youtube/ programa “A dos voces” da emissora TN

O promotor argentino Alberto Nisman, que denunciou a presidente Cristina Kirchner por suposto encobrimento do Irã em um atentado contra uma associação judia, foi encontrado morto, com um tiro na cabeça — conforme imprensa argentina –, no banheiro de sua casa, nesta segunda-feira (19). Autoridades do país ainda não confirmaram, entretanto, as circunstâncias da morte, e afirmam que o corpo foi encontrado no domingo (18).

Nisman iria comparecer ao Congresso na manhã desta segunda-feira para detalhar a denúncia, que também abrangia o chanceler Héctor Timerman, o deputado Andres Larroque, os militantes Luis D’elia, Fernando Esteche, ex-promotor e ex-juiz Hector Yrimia, o iraniano Jorge Khalil, entre outras autoridades.

A denúncia era referente ao atentado contra a Associação Mutual Israelita Argentina (Amia), um centro de convivência de judeus, em 1994, que deixou 85 mortos e mais de 300 feridos. Nisman era o promotor da ação, e o processo era baseado em escutas telefônicas entre autoridades iranianas e agentes de inteligência argentinos.

Conforme denunciado, a Argentina teria assinado um acordo com o Irã para que o país sul-americano encobrisse os suspeitos do atentado em troca de impulsionar o comércio bilateral e a troca de petróleo por grãos. Na época, a Argentina sofria com uma crise energética.

Ameaças

Recentemente, em entrevista ao jornal “Clarín”, o promotor mostrou-se preocupado e disse: “Eu posso sair morto disso [do caso].”

A deputada Patricia Bullrich sustentou que ele informou, também há poucos dias, que havia sido ameaçado. Nisman entrou em contato com a procuradoria-geral para que reforçassem sua segurança. Autoridades do país informou que ele tinha 10 agentes da polícia como seguranças particulares.

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