Projeto Piracanjuba Livre é esperança de repovoar rios com peixes nativos

Parceria entre ONG, universidades e Enel pretende dar nova vida à bacia do Rio Paranaíba e criar corredor fluvial de biodiversidade

Coordenador do projeto, Ary Soares segura um exemplar de piracanjuba | Foto: Divulgação

* Nazareno da Silva Santos
Especial para o Jornal Opção

Em tempos que a ciência e o meio ambiente tem sido tão vilipendiados pela política e pelo negacionismo, esforços têm, de forma sistemática, buscados caminhos que contribuam para um mundo melhor. O Projeto Piracanjuba Livre – Paranaíba Vivo é uma dessas iniciativa.

Integralmente financiado pela Enel Green Power, o Projeto Piracanjuba Livre – Paranaíba Vivo tem como objetivos principais resgatar espécies de peixes ameaçadas de extinção na bacia hidrográfica do Rio Paranaíba (BHRP) e criar bases para a constituição de um corredor de biodiversidade no Rio Piracanjuba.

O projeto é coordenado por Ary Soares, mestre em Geografia, especialista em Gestão de Áreas Naturais Conservadas e ex-superintendente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) em Goiás e membro do Conselho Estadual de Meio Ambiente do Estado de Goiás (Cemam). Tem sua gestão conduzida pelo Instituto de Desenvolvimento Econômico e Socioambiental (Idesa) e, para a execução técnica, conta com importantes parcerias com duas grandes universidades goianas, que participam com professoras e professores, além de estudantes que desenvolvem atividades com critérios científico e rigor acadêmico, sob coordenação superior.

Em uma frente de trabalho, a Universidade Estadual de Goiás (UEG), no Campus Morrinhos, sob a coordenação do professor Renato Adriano, trabalha na caracterização da paisagem na área de abrangência do projeto. Utilizando as ferramentas de sensoriamento remoto e geoprocessamento, a equipe do Curso de Geografia está levantando o atual estado de cobertura vegetal e uso do solo dos oito municípios abrangidos – Água Limpa, Bela Vista de Goiás, Buriti Alegre, Caldas Novas, Morrinhos, Piracanjuba, Rio Quente e Marzagão.

O grupo também está refinando os mapas de drenagem e cursos d’água existentes, levantando a caracterização do solo, relevo e declividade e tudo mais que contribua para uma caracterização física do território foco do projeto nessa etapa. Esse trabalho possibilitará compreender todos os impactos e pressões que as ocupações humanas estão causando ao ambiente e, consequentemente, aos habitats e a toda a ictiofauna da região. Subsidiará, também, na tarefa, propor a criação de corredores de biodiversidade, seja com a proposição de criação de unidades de conservação (UCs), especialmente da categoria reserva particular do patrimônio natural (RPPN), seja com ajuste de manejo, para práticas mais sustentáveis.

A UEG – Campus Morrinhos está, ainda, executando a importante ação de aproximação e envolvimento das comunidades locais, em especial as ribeirinhas e de pescadores, com os objetivos do projeto. Esse trabalho, coordenado pela professora Janãine Daniela Pimentel Lino Carneiro, é fundamental para que os objetivos sejam alcançados e, principalmente, para que perdurem, pois, sem a compreensão e comprometimento de quem vive próximo aos rios, efetivamente quase nada acontece.

Em outra parceria, a Universidade Federal de Jataí (UFJ), por meio do Laboratório de Biotecnologia e Fisiologia em Peixes (Labfish), coordenado pela professora Mônica Machado, PhD em reprodução de peixes, está responsável por todo o levantamento das reais condições dos rios da bacia, foco do projeto. Para tanto, o grupo realiza coleta e análise de água em diversos pontos dos diversos municípios ao longo do Rio Piracanjuba. As análises investigam a qualidade da água de forma ampla, tendo assim condições de, com base nesses estudos, apontar ações objetivas para que a qualidade ideal seja alcançada.

O Labfish é também o responsável pela identificação, captura e diagnóstico da sanidade de espécimes do peixe alvo, o piracanjuba (Brycon orbgynianus), e por proporcionar as condições para que se reproduzam em cativeiro, de forma segura e saudável para, futuramente, os filhotes sejam soltos na natureza, repovoando rios novamente com essa e outras espécies, muito abundante em outros tempos. Também será realizado o monitoramento alguns peixes, que receberão uma tag (etiqueta plástica com um número de registro/identificação), o que possibilitará o acompanhamento desse indivíduo ao longo do tempo.

Outro fator importante do Projeto Piracanjuba Livre é propiciar uma maior proximidade entre as universidades parceiras, que trabalham o tempo todo de forma colaborativa, ampliando a capacidade de ação e, especialmente, oferecendo aos alunos envolvidos, um horizonte bem mais amplo de possibilidade de obtenção e consolidação de conhecimento. Também está trazendo a academia para o “barranco do rio” de forma prática e efetiva, propiciando aos membros da academia olhar o mundo com outros olhos e, assim, adequar o conhecimento científico à linguagem e à realidade das comunidades mais humildes, com quem deve ser construída a principal parceria de qualquer projeto.

Além dessas duas importantes parcerias, o Idesa está buscando firmar outras, bem como busca outros apoiadores, como a ONG SOS Rio Piracanjuba, que já é um apoiador. Para acompanhar as ações e saber mais, siga @piracanjubalivre nas redes sociais ou acesse www.idesabrasil.org.br. Caso você seja pescador eventual ou profissional e capturar um dos nossos peixes monitorado, pedimos que o solte e nos conte como ele está, respondendo ao formulário em https://forms.gle/oua2Ct8dZfzyNHSDA.

 * Nazareno de Sousa Santos é escritor e colaborador do Idesa.

Uma resposta para “Projeto Piracanjuba Livre é esperança de repovoar rios com peixes nativos”

  1. Avatar Ary Soares disse:

    O articulista retratou bem parte das estratégias desse ousado projeto. A parceria com universidades públicas tem sido fator determinante nos resultados obtidos e nas perspectivas ambicionadas.

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