Projeto goiano que acolhe famílias de autistas lança site sobre a temática

Plataforma é continuidade de trabalho realizado pelo TEAmamos e busca ampliar debates sobre a condição, com participação de familiares e profissionais ligados à área 

Idealizadoras do projeto TEAmamos | Foto: reprodução

Uma rede de amor em expansão: projeto goiano de acolhimento para famílias com casos de autismo ganha, neste mês, site que se propõe a falar sobre os aspectos da condição de Transtorno do Espectro Autista (TEA). O lançamento do site é resultado de esforços conjuntos unidos pelo tema, ainda pouco debatido.

Amanda Ferro e o pequeno Lucas | Foto: reprodução

Com a idealização iniciada em novembro do ano passado, a administradora Amanda Ferro, mãe do Lucas, de quatro anos, portador do TEA, conta que durante o processo de aceitação desde o diagnóstico, passou a identificar a necessidade de criar uma ferramenta que pudesse atender às famílias na mesma situação, de forma a promover uma rede de amparo entre iguais.

Dessa forma, Amanda começou a dialogar sobre a ideia, encontrando mulheres que dariam corpo ao projeto: Carla Lacerda (jornalista), Viviane Braga (educadora física) e Gabriela Ribeiro (psicóloga). Juntas, após três meses de reuniões, surge o TEAmamos – sigla da condição unida à palavra que, segundo Amanda, resume o projeto: amor.

As ações do TEAmamos começaram em fevereiro deste ano, focadas em dois modelos de atividades. Quem explica a dinâmica do evento principal é a jornalista Carla Lacerda, uma das idealizadoras e mãe do João Lucas, que é autista. A comunicadora explica que o grupo promove, mensalmente, uma reunião entre as famílias. Nos encontros, profissionais de diversas áreas palestram aos presentes.

Encontro entre familiares envolvidos no projeto, que conta com palestras de profissionais | Foto: reprodução

“As famílias não imaginam que terão esse diagnóstico, pensar em acolhimento é essencial e quanto mais informação, menos preconceito”, afirma a jornalista Carla Lacerda, que é produtora da série “Autismo – Um Mundo Singular”, veiculada na TV Brasil Central em 2015.

A segunda atividade é explicada pela administradora Amanda: “A partir de parcerias com shoppings de Goiânia, começamos a receber ingressos para levar as crianças em ações infantis, quando o shopping recebe algum brinquedo”. Ela diz que a partir desse formato de atividade o grupo vem conseguindo contornar o isolamento.

Um passo adiante

Após uma série de sete reuniões mensais, que conta com divulgação de profissionais de áreas que assistem autistas, Carla relata que os encontros já têm caráter intermunicipal, com presença de famílias de municípios vizinhos da capital, como Trindade. Outro registro das idealizadoras é a presença de profissionais que buscam conhecimento sobre o autismo. 

Atividade de lazer promovida em shopping de Goiânia | Foto reprodução

“Temos um café da manhã e a palestra que é intercalada com perguntas, que se dá em um processo bem explicativo, para que as pessoas possam entender o que elas podem fazer em casa. Acaba que uma família compartilha com a outra”, explica a jornalista.

Com a rápida adesão, era hora de criar um mecanismo que pudesse ter ainda mais alcance. A partir disso, surge a ideia da criação do site, que é justificada por Carla e Amanda por ser uma ferramenta que une maior visibilidade à credibilidade necessária quando se trata do tema.

“A partir do site nós conseguiremos abranger maior público, unir material de credibilidade”, explica Amanda, adiantando que o site terá uma rede de profissionais cadastrados de todos os lugares do país. Médicos, psicólogos, educadores físicos e os diversos profissionais que a área abrange atualizarão junto à plataforma conteúdos sobre o TEA.

“Em tempos de fake news, mesmo nessa área, é uma forma de garantir a manutenção da veracidade. O site vai ter todos esses cuidados para reunir informações técnicas” defende a jornalista Carla.

Uma outra ferramenta que estará disponível no site é um banco de profissionais cadastrados por regiões do país. Amanda explica que ao utilizar a ferramenta, o usuário poderá pesquisar pela cidade e será informado sobre os profissionais que se cadastraram junto ao TEAmamos.

Horizontes

“Os ciclos vão se abrindo. Nossa primeira meta era o acolhimento de famílias, agora teremos o site. Tudo isso é extremamente urgente. O TEA passou a ganhar visibilidade nos últimos anos, principalmente após a Lei Brasileira de Inclusão. A ideia é pensada em longo prazo, pensando também nas crianças do futuro”, afirma Carla.

Carla Lacerda e o filho João Lucas | Foto: Wildes Barbosa

Reconhecendo que ainda há um caminho a ser percorrido, Amanda se permite sonhar e diz que no horizonte do grupo está a idealização de um centro de referências para famílias com casos de TEA. O lugar sonhado não está, no entanto, restrito a atendimentos médicos. Amanda sonha em um lugar de lazer, que as famílias possam ter prazer na convivência.

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