Projeto do Plano Diretor de Goiânia contém proposta de expansão urbana

Para conselheira do CAU-GO, com isso, prefeitura opta por atender à pressão imobiliária. “Quanto menos abrirmos a linha do perímetro urbano, melhor para a cidade”, diz

Maria Ester de Souza, durante entrevista ao Jornal Opção | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

O projeto de revisão do plano diretor de Goiânia, disponível no site da Câmara Municipal, mostra que o perímetro urbano, tido como o “limite que divide a cidade em área urbana e área rural”, sofreu alterações que, segundo a conselheira do Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Goiás (CAU-GO), Maria Ester de Souza, caracterizam “expansão urbana”.

Conforme mostrado pelo Jornal Opção em dezembro do ano passado, a Secretaria Municipal de Planejamento Urbano e Habitação (Seplanh), ao ser questionada sobre o assunto, argumentou que as alterações feitas no Plano seriam de “caráter corretivo”. Isso implicaria, de acordo com a superintendente de planejamento e gestão sustentável, Zilma Percussor, em “pequenos ajustes” no mapa.

“Algumas áreas estavam com 80% de seu território na macrozona urbana e 20% na macrozona rural. Nós passamos a tratar essas áreas como uma unidade onde elas vieram definitivamente para a macrozona urbana ou o contrário”, disse percussor à época.

Seis por meia dúzia

Contudo, a arquiteta e urbanista, Maria Ester, explicou à reportagem que o processo de correção é o mesmo que expandir o perímetro urbano. E justificou: “Quando você expande você cria uma área passível de ser loteada. Na zona rural não, o que temos são loteamentos bem maiores, loteamentos de chácaras e outras propriedades”. 

Ou seja, “quanto menos abrirmos a linha do perímetro urbano, melhor para a cidade. Haja vista que precisamos concentrar a população para mais perto dos centros de serviços, precisamos também manter nossas áreas de preservação ambiental, preencher os diversos vazios urbanos etc”, pontuou Maria Ester. 

Segundo a especialista, “já havia um certo tempo que fazíamos um debate sobre o que eles (o Executivo) chamam de correção do perímetro urbano”. “Para quem vive em uma cidade como Goiânia, esse perímetro praticamente não existe. As pessoas não conseguem mais diferenciar muito bem uma coisa da outra. Andando pela periferia você vê o pasto e logo se depara com outra cidade como Aparecida de Goiânia e Trindade, por exemplo. Então não há a necessidade de ampliarmos ainda mais a linha da zona urbana. Também alertamos sobre a importância da manutenção de uma região de atividade rural”.

Como sempre

Na visão da arquiteta, o plano traz uma nova expansão “como sempre houve na história da cidade”. “Toda vez que a revisão do plano é publicada nós temos um novo aumento dessa linha. Não existe um plano que venha para reduzir, o que é perfeitamente possível, ou, ao menos, manter como já estava”. Para a especialista, optar por esse lado seria sinônimo de “não atender à pressão imobiliária que tende a ser muito grande”.

“A nossa esperança é de que na Câmara, os vereadores possam respeitar o trabalho técnico e que algum dia, algum prefeito tenha, de fato, interesse nesse Plano. Sabemos que é uma peça jurídica complicada de entender e que muitas vezes o prefeito só a utiliza como cumprimento legal, para cumprir protocolo pois trata-se de uma exigência federal”, conclui.

Jornal Opção tentou contato com o secretário da Seplahn, Henrique Alves, bem como com a prefeitura, mas não obteve sucesso. O espaço está aberto para posicionamento.

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