Programa nacional de retirada da vacinação contra febre aftosa divide opiniões

Pecuaristas reconhecem valorização do mercado caso haja a extinção da vacina, mas temem pela celeridade do processo

Foto: reprodução

Sob cronograma do Plano Nacional de Retirada da Vacinação Contra Febre Aftosa no Brasil, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) começa a aprovar a retirada da vacina em alguns Estados. A medida que é vista como positiva por parte dos produtores é percebida com desconfiança por outros representantes da área, que temem a volta da doença.

No fim do último mês o Mapa aprovou a antecipação da retirada da vacina no Estado do Paraná. A decisão considera que “diante dos resultados apresentados, todos os Estados componentes do Bloco manifestaram concordância quanto ao pleito do estado do Paraná de antecipar o calendário de suspensão da vacinação contra a febre aftosa, conforme previsto no Plano Estratégico”.

Para os favoráveis ao Plano, a extinção da vacinação irá valorizar a imagem do Brasil no mercado internacional de carne (bovina e suína). Entretanto o pecuarista Paulo de Castro Marques alerta em artigo no blog Assessoria Agropecuária que os benefícios da medida podem ser limitados a um curto prazo.

“Sabemos que a febre aftosa é uma doença de terceiro mundo e que fere a imagem do Brasil, segundo maior produtor de carne bovina do mundo e quarto maior produtor de carne suína. Porém, também é fato que a vacinação contra essa terrível enfermidade protege de maneira inquestionável os rebanhos brasileiros. Tanto é verdade que o último caso ocorreu em 2006”, considera o pecuarista.

Celeridade do processo

Paulo reconhece que para a valorização o ideal é deixar de vacinar o gado, mas questiona a maneira como o processo estaria sendo conduzido. “Parece que se pretende acelerar a decisão, quando o que importa na verdade não é o possível ganho econômico com o eventual crescimento das exportações de carnes, mas a efetiva proteção do rebanho brasileiro contra a febre aftosa”, afirma.

O pecuarista chama atenção para as diferentes políticas de países vizinhos, com os quais o Brasil faz fronteira. “Eles já avisaram que não deixarão de vacinar seus animais. Mas o que acontece se os seus bovinos ultrapassarem as fronteiras e vierem para o lado brasileiro? Estamos realmente preparados para vigiar com eficácia o tráfego de bovinos com os países vizinhos?”, questiona.

“São muitas perguntas sem respostas claras. Não consigo entender para que acelerar esse processo, sendo que o programa de vacinação obrigatória funciona muito bem. O tempo dirá se vamos comemorar vitória ou vamos lamentar uma dolorosa derrota”, finaliza.

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