Professores ocupam toda a Câmara e juiz determina reintegração de posse

Grevistas intensificaram o movimento nesta quinta-feira, passando a controlar os portões do prédio

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Professores durante a noite no plenário da Câmara | Foto: Demian Duarte

Diante da relutância da presidência da Câmara de Vereadores de Goiânia em não abrir canal de negociação enquanto ocorre a ocupação do plenário por professores da rede pública, os grevistas intensificaram o movimento na manhã desta quinta-feira (12/6), assumindo o controle dos portões da Casa e expandindo a ocupação a outros espaços. Também nesta quinta, o juiz Fabiano Abel de Aragão Fernandes, da 2ª Vara da Fazenda Pública Municipal e de Registros Públicos de Goiânia, determinou a reintegração de posse do prédio. O magistrado autorizou ainda auxílio policial “caso o bom senso não prevaleça”.

Devido à ocupação, iniciada na última terça-feira (10), as sessões plenárias estão sendo realizadas no auditório Jaime Câmara, mas nesta manhã, com a ocupação do restante da Casa, o presidente da Câmara, vereador Clécio Alves (PMDB), liberou os servidores mais cedo. O peemedebista também anunciou que a partir do meio-dia a Casa ficaria completamente sem energia elétrica e água, tendo sido declarado ponto facultativo o expediente de sexta-feira (13) pela maioria dos vereadores.

Ao Jornal Opção Online, o professor Antônio Gonçalves, coordenador do Sindicato Municipal dos Servidores da Educação em Goiânia (Simsed), admitiu que os grevistas estão com o controle dos portões da Câmara, mas negou confronto com guardas ou servidores da Casa. Durante a sessão, Clécio Alves disse aos vereadores que funcionários estariam sendo hostilizados pelos grevistas, sendo que a segurança do prédio foi reforçada. Antônio Gonçalves afirma que cerca de 200 professores participaram da ocupação completa da Câmara nesta manhã.

Como os portões foram trancados, até a vereadora oposicionista Cistina Lopes (PSDB) se manifestou contrária à intensificação do movimento, tendo afirmado que os grevistas não podem de impedir o direito de ir e vir das pessoas. Durante a sessão, os vereadores Djalma Araújo (SDD) e Elias Vaz (PSB) defenderam o início das negociações com a categoria.

De acordo com Antônio Gonçalves, a categoria não está impedindo ninguém de sair do prédio. “Essa ocupação geral da Câmara é porque o Clécio [Alves] cortou tudo, a água, a luz, se ele religar a energia e a água nós voltamos a ocupar só o plenário”, garantiu. O professor classificou a situação dos grevistas que permanecem na Casa como desumana. “De madrugada ficam ligando os sons do plenário para nos incomodar”, diz.

A categoria, em greve desde 26 de maio, reivindica o cumprimento integral do acordo firmado para o fim da paralisação de 2013, que durou quase um mês, além de uma audiência com o prefeito Paulo Garcia (PT). A ocupação do plenário se deu na ocasião em que o pedido de abertura de comissão processante para analisar o pedido de impeachment do petista foi rejeitado pelos vereadores. Ontem, durante pronunciamento à imprensa, Paulo Garcia disse que o pedido de cassação de seu mandato, feito por dois professores, foi uma tentativa de golpe e que os professores não têm o que reivindicar.

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