Professores e governo chegam a acordo e deputados aprovam reajuste salarial

Última proposta do governo, questionada pelo sindicato principalmente no que refere ao parcelamento do pagamento retroativo, foi mantida

Foto: Marcos Kennedy

Foto: Marcos Kennedy

Após intensa negociação, os deputados estaduais conseguiram votar nesta terça-feira (30/6) um projeto referente ao reajuste do salário dos professores — 13,1% — fruto de acordo com o Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Goiás (Sintego). A matéria foi aprovada em primeira votação durante sessão extraordinária e teve o apoio da oposição.

A deputada Adriana Accorsi (PT) elogiou a ação dos deputados da base e frisou que avanço foi possível graças à interferência e luta da oposição da Casa. “Mas acredito que podemos dizer que todos os deputados, de oposição e da base, estão de parabéns por termos conseguido um consenso com os professores”.

O reajuste de 13,1%, previsto em lei federal, deveria ter sido concedido em janeiro. Os professores brigavam porque o Estado queria — e irá — pagar retroativo desde janeiro apenas para parte da categoria, os chamados pelo projeto de PI e PII (que possuem nível médio e licenciatura curta; menor parte dos funcionários). Para o restante dos servidores, chamados de PIII e PIV  (que possuem graduação e pós; maior parte dos professores), o projeto prevê pagamento a partir de agosto, sem retroativo.

Deputada petista Adriana Accorsi (à esquerda) garante que teve papel ativo nas negociações. A parlamentar Eliane Pinheiros foi a porta-voz do governo durante a tentativa de um acordo | Fotos: Fernando Leite - Jornal Opção / Y. Maeda -- Alego

Deputada petista Adriana Accorsi (à esquerda) garante que teve papel ativo nas negociações. A parlamentar Eliane Pinheiro (PMN) foi a porta-voz do governo durante a tentativa de um acordo | Fotos: Fernando Leite – Jornal Opção / Y. Maeda – Alego

O avanço para a categoria foi referente aos PIII e PIV, que terão o reajuste a partir do próximo mês de julho, além de terem conseguido pagamento retroativo referente a maio e junho. Diferente do que gostariam, como foi dito pela própria presidente do Sintego, Bia de Lima, na última segunda (29), o pagamento dos dois meses será parcelado em 10 vezes.

Bia de Lima também havia dito ao Jornal Opção Online que só aceitaria oferta do governo quando visse alteração do projeto original. “Várias negociações ocorreram, mas o projeto se mantém igual. Não vou falar que aceito ou não enquanto o projeto não estiver alterado”, disse.

De acordo com ela, o sindicato decidiu esperar o projeto ser votado para somente depois se reunir em assembleia para decidir os rumos da greve da categoria. A greve foi suspensa e uma assembleia está marcada para o dia 3 de agosto, quando acabarem as férias dos professores.

Na Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJ), o líder do governo, o deputado José Vitti (PSDB), frisou o que foi anteriormente exposto por Bia. “Deputados, quero que fique claro que isso não significa que a greve teve fim. A presidente do Sintego ainda vai se reunir com a categoria. Temos que aguardar”, pontuou.

Os professores nem compareceram à Assembleia. Eliane Pinheiros (PMN) disse à reportagem na última segunda (29) que parte do acordo era que os professores não iriam ao local “atrapalhar a sessão”. “Ela [Bia de Lima] me disse que não são os dela que ficam indo lá”, pontuou a deputada.

Ao Jornal Opção Online, a presidente do sindicato afirmou que não considera a aprovação como um avanço, mas como um “mal menor”. “Frente à realidade que está posta, não tivemos outra saída que não aceitar essa proposta que é o menos pior”.

Ela disse ainda que até a data da assembleia da categoria, em agosto, vai tentar diálogo com o governo para negociar a situação dos servidores administrativos. “Nós fizemos uma proposta e estamos querendo uma posição. Nosso objetivo é eliminar algumas injustiças que o governo vem cometendo com esses servidores”, explicou.

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Josiele Alves

Que proposta imoral!!! Para os deputados foi dado um aumento de 25% enquanto que os professores só estão requerendo o retroativo de seu piso que é lei federal. E concurso publico para diminuir a exploração dos contratos…Que vergonha é pra isso que se elege representantes para massacrar o povo?

Ricardo Elias Jreige

Consenso uma pinóia. Não cumpriram a lei, isso me dá o direito de não cumpri-la também?