Professores da UFG criticam hostilidade a Raquel Teixeira

Docentes aposentados da Faculdade de Educação lembraram episódio do último dia 20, quando secretária apresentaria projeto de OSs, mas foi impedida

| Foto: Divulgação UFG

Para os professores, não foram respeitadas as regras do debate democrático | Foto: Divulgação UFG

Com o título “Para onde vai a Faculdade de Educação?”, professores aposentados da Universidade Federal de Goiás (UFG) emitiram uma nota de repúdio quanto ao episódio em que a secretária de Educação, Cultura e Esporte, Raquel Teixeira, foi hostilizada por alunos e professores da instituição. Se dizendo “perplexos”, o grupo sustenta que “a professora Raquel tinha o direito de se manifestar apresentando o projeto e suas razões”.

No último dia 20, a convite da Faculdade de Educação (FE), Raquel participaria de um debate sobre a gestão compartilhada com Organizações Sociais na rede estadual de ensino. Antes mesmo da discussão começar, no entanto, professores se colocaram contra a fala dela e, acirrados os ânimos, a secretária teve que deixar o prédio sob gritos e palavras de ordem.

Os professores se disseram “perplexos” com as cenas vistas em vídeos divulgados em primeira mão pelo Jornal Opção, e criticaram duramente a postura do Conselho Diretor da Faculdade, que não só não garantiu que Raquel se expressasse e apresentasse o projeto como não a acompanharam enquanto ela deixava, às pressas, a FE.

A nota é assinada pelos docentes José Luiz Domingues, Maria Hermínia Marques da Silva Domingues, Maria Mitsuko Okuda, Lais Teresinha Monteiro e Ana Christina de Andrade Kratz. Eles lembraram que faz parte do “diálogo democrático” que a secretária ouvisse considerações e críticas dos professores da instituição, mas que pudesse também se manifestar.

“Ajudamos a construir o espírito crítico que caracteriza aquela unidade da Universidade Federal de Goiás”, sustentam. “Atitudes como as que ocorreram são inaceitáveis no espaço do dissenso que deve caracterizar a universidade e em particular a Faculdade de Educação que tem sob sua responsabilidade produzir conhecimento, discutir e criticar a prática pedagógica e principalmente formar os educadores/professores”, finaliza a nota.

Confira a nota na íntegra:

PARA ONDE VAI A FACULDADE DE EDUCAÇÃO?

Somos professores aposentados da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Goiás.

Vimos, perplexos, os vídeos que mostraram cenas da saída na Professora Raquel Teixeira da Faculdade de Educação. Lemos a notícia na página da ADUFG-Sindicato que relata como ocorreu a reunião do Conselho Diretor da Faculdade de Educação.

No relato, constatamos que aquela era uma reunião extraordinária onde a Professora Raquel Teixeira, atualmente Secretária de Estado, tinha sido convidada para debater o programa de governo relativa à nova forma de administração das unidades escolares através de OS (Organizações Sociais).

Ajudamos a construir o espírito crítico que caracteriza aquela unidade da Universidade Federal de Goiás.

Repudiamos a forma como a Faculdade de Educação tratou a Professora Raquel Teixeira, professora aposentada da UFG. A Faculdade convidou a professora e não garantiu o diálogo democrático com a referida docente. Como convidada, a professora Raquel tinha o direito de se manifestar apresentando o projeto e suas razões; tinha, também, a obrigação de ouvir todas as considerações e críticas dos professores que compõe o Conselho Diretor e, ainda, o direito de resposta.

Outro fato estarrecedor foi que ninguém do Conselho Diretor acompanhou a professora que saiu sob apuros e agressões verbais. Com a palavra a Diretora…

Atitudes como as que ocorreram são inaceitáveis no espaço do dissenso que deve caracterizar a universidade e em particular a Faculdade de Educação que tem sob sua responsabilidade produzir conhecimento, discutir e criticar a prática pedagógica e principalmente formar os educadores/professores.

 

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