Professora da UFRJ é processada pelo MP “por escravizar idosa por 41 anos”

A mestre é acusada de “manter uma empregada doméstica em trabalho análogo à escravidão por 41 anos e sacar seu auxílio emergencial”

Os repórteres da revista “Época” Guilherme Amado e Eduardo Barretto relatam, na reportagem “MP processa professora da UFRJ por escravizar idosa por 41 anos”, mais uma das aberrações do Brasil, e agora cometida por uma integrante de um centro iluminista, a universidade. Local, sabe-se, que condena, com veemência, atos de tal natureza.

A ação movida por procuradores do Ministério Público do Trabalho do Rio de Janeiro acusa uma professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro de “manter uma empregada doméstica em trabalho análogo à escravidão por 41 anos e sacar seu auxílio emergencial”. O nome da professora assistente, que trabalha em regime integral, não foi revelado, assim como o da vítima.

A ação tramita na 45ª Vara do Trabalho do Rio de Janeiro.

Quarto da idosa no Rio de Janeiro | Foto: Força Tarefa do MPT-RJ

A revista registra que a idosa, de 63 anos, “foi resgatada da Abolição, Zona Norte do Rio de Janeiro”. Que o leitor observe a palavra: Abolição. A escravidão foi abolida no Brasil, em 1888, há quase 132 anos. Mas, como se vê, a escravidão continua, assim como o racismo sistêmico.

“Época” informa que a idosa “dormia num pequeno cômodo sem luz, não tinha livre acesso a alimentos ou água potável, era obrigada a catar latas na rua e ficava à disposição da família em tempo integral. A vítima estava aparentemente desnutrida e, de acordo com vizinhos, sofria maus-tratos”.

Os pertentes da empregada teriam sido jogados fora, portanto ela perdeu os dados de contatos de seus parentes.

A procuradora do Trabalho Isabel Maul, que conduziu a investigação do caso, diz: “A velha lenda de que o empregado doméstico é ‘como se fosse da família’ não pode ser usada para justificar esses absurdos. A população deve ser melhor esclarecida sobre o que não é tolerável. Por exemplo, trabalhar sem jornada fixada, sem intervalos, salário, liberdade para sair da casa do empregador”.

O Ministério Público do Trabalho solicitou à Justiça que a professora da UFRJ pague 1 milhão de reais em danos morais à idosa, “além de uma indenização de dano moral coletivo de ao menos 300 mil reais”.

O MP pediu o bloqueio de bens da professora no valor de até 1 milhão de reais. Os procuradores sugeriram também que a UFRJ seja notificada para “descontar um salário mínimo por mês à vítima, até o fim do processo”.

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