Professor da Veterinária da UFG é demitido após denúncias de assédio sexual
11 março 2026 às 16h20

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O professor da Faculdade de Veterinária da Universidade Federal de Goiás (UFG), Victor Rezende Moreira Couto, foi demitido do cargo após ser considerado culpado em processo administrativo por assédio sexual contra estudantes. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União no dia 26 de fevereiro.
As denúncias foram feitas inicialmente em 2017 por uma aluna do curso de Medicina Veterinária. Em áudio divulgado à época, a estudante relatou que o professor integrava o comitê de orientação acadêmica e que, ao longo do convívio, passou a adotar comportamentos considerados inadequados para a relação entre docente e orientanda. Segundo ela, o professor tocava em seu cabelo e braço e tentava, de forma recorrente, ficar a sós com a estudante.
A aluna também relatou um episódio ocorrido durante o retorno de uma atividade na fazenda escola da universidade. De acordo com o relato, durante o trajeto, o professor teria sugerido que ambos parassem em um motel localizado na estrada. “No meio do caminho, ele sugeriu que a gente fosse para um motel que tinha na estrada. Eu me assustei muito e falei: não, não, você é casado, você tem filhos, eu sou casada”, contou a estudante.
Mesmo após a negativa, ela afirma que o professor continuou enviando mensagens. A ex-aluna relata que a situação trouxe consequências pessoais, incluindo conflitos familiares que culminaram em seu divórcio. Foi a partir desse momento que ela decidiu tornar o caso público.
Em 2023, a ex-estudante afirmou ter sido procurada por outras cinco alunas do mesmo curso que disseram ter passado por situações semelhantes envolvendo o professor.
Na publicação da demissão, o governo federal aponta que o docente foi considerado culpado por violação de dever funcional e por utilizar o cargo para obter proveito pessoal em detrimento da dignidade da função pública.
UFG
Procurada pelo Jornal Opção, a Universidade Federal de Goiás informou, por meio de nota, que ainda não foi oficialmente notificada da decisão pelo Ministério da Educação (MEC).
“Informamos que a Universidade Federal de Goiás não foi notificada pelo Ministério da Educação da decisão. Somente poderá haver manifestação após a devolução oficial do processo pelo MEC”, afirmou a instituição.
A reportagem entrou em contato com o professor pelo e-mail divulgado pela UFG, mas, até o fechamento desta matéria, não obteve resposta. O espaço segue aberto para manifestação.
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