Procuradores que se demitiram da Lava Jato em SP alegam que chefe da operação criava obstáculo às investigações

Documento enviado ao Conselho Superior do Ministério Público elenca série de posturas negativas da procuradora Viviane de Oliveira Martinez

Foto: José Cruz | Agência Brasil.

Em documento enviado para o Conselho Superior do Ministério Público, os procuradores da Lava Jato de São Paulo que pediram demissão coletiva nesta quarta-feira, 2, afirmaram que a chefe da operação no estado, Viviane de Oliveira Martinez, criava obstáculos ao avanço das investigações.

O documento, que é assinado por todos os sete procuradores que pediram demissão, afirma que Martinez “passou a opor resistência ao aprofundamento de investigações em curso” e explica como isso ocorria.

“Em reunião realizada em abril deste ano, a Procuradora da República Viviane começou a mobilizar um discurso no sentido de que teria divergências quanto aos critérios de conexão que vinham sendo aplicados. E com isso, passou a opor resistência ao aprofundamento de investigações em curso, argumentando que lhes faltaria uma “conexão processual forte” disseram no documento.

“Chamou atenção o fato de que a Procuradora indicou que não queria que fossem mais instaurados novos feitos extrajudiciais vinculados ao 5º Ofício, e que não deveriam ser realizadas mais tratativas de acordos de colaboração premiada e de leniência, antes de solucionar os crimes e ilícitos que já foram delatados”, afirmaram em outro trecho.

Os procuradores ainda disseram que a procuradora concordou em arquivar qualquer coisa que eles propusessem. “Não bastasse, na ocasião, a Procuradora Viviane afirmou com todas as letras que concordaria prontamente com todos os declínios e arquivamentos que fossem propostos pelos signatários, transparecendo uma vez mais um compromisso com o enxugamento do acervo, pouco importando a relevância em si dos casos que seriam alvo de redistribuição ou, pior, de finalização”.

Viviane de Oliveira Martinez foi nomeada em março deste ano, na gestão do procurador-geral, Augusto Aras.

Outras posturas

No texto os procuradores também elencam outras posturas negativas da procuradora:

1) “Nunca participou de reuniões com advogados e com colaboradores”, 

2) “Não participou de qualquer audiência judicial pertinente a casos da Força-Tarefa”;

3) “Nunca participou de um único despacho com juízes ou de uma única reunião com delegados de Polícia Federal, para tratar de casos da Lava Jato”

4) “Nunca se preocupou em assumir para si um único caso sequer desta Força-Tarefa, tornando-se responsável por sua análise, seus despachos, enfim, sua condução, e deixou todo esse encargo exclusivamente com os ora signatários”

5) “Nunca minutou, diretamente ou por intermédio de sua assessoria, uma única peça extrajudicial ou judicial em favor do impulsionamento dos casos da Lava Jato paulista, cingindo-se a assinar aquilo que era minutado pelos ora signatários.”

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