Procurador-geral da República pede prisão de Renan, Jucá, Sarney e Cunha

Rodrigo Janot se baseou em gravações de conversas entre os três e o ex-presidente da Transpetro, Sergio Machado, em que eles sugerem atuação para barrar Lava Jato

Os três também são acusados por Sergio Machado de receber R$ 70 milhões em propina | Fotos: Jefferson Rudy/Agência Senado (Renan), José Cruz/ Agência Brasil (Romero) e Wendel Lopes/ PMDB (Sarney)

Calheiros, Jucá e Sarney também são acusados por Sergio Machado de receber R$ 70 milhões em propina | Fotos: Jefferson Rudy/Agência Senado (Renan), José Cruz/ Agência Brasil (Romero) e Wendel Lopes/ PMDB (Sarney)

Após terem sido gravados em conversa com o ex-presidente da Transpetro, Sergio Machado, sugerindo atuação para barrar as investigações da Lava Jato, o presidente do Senado Federal, Renan Calheiros (PMDB-AL), o senador Romero Jucá (PMDB-RR) e o ex-presidente José Sarney (PMDB-AP) entraram na mira do procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

O deputado federal afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) também integra a lista, acusado de tentar obstruir a Justiça. Janot pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a prisão de Calheiros, Jucá e Cunha e que Sarney seja monitorado por tornozeleira eletrônica.

Encarregado dos processos envolvendo a Lava Jato, o ministro Teori Zavascki foi quem recebeu o pedido, que solicita ainda o afastamento de Renan Calheiros da presidência do Senado, assim como foi feito com o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Segundo informações do jornal O Globo, o documento está no STF há pelo menos uma semana.

O pedido de Janot se baseia na convicção de que os três teriam atuado diretamente para mudar a legislação e beneficiar investigados da Lava Jato. No áudio de Renan, por exemplo, ele sugere que sejam feitas mudanças nas delações premiadas para dificultar a obtenção de provas junto aos presos.

Além da suposta intervenção nas investigações da Operação Lava Jato, os três peemedebistas são acusados de ter recebido R$ 70 milhões desviados da Petrobras. Segundo o que Sergio Machado contou em sua delação premiada, Calheiros teria recebido R$ 30 milhões e os outros dois, pelo menos R$ 20 milhões cada.

Jucá já teve que se afastar, 12 dias após ter sido nomeado ministro do Planejamento, depois de sugerir que o processo de impeachment seria uma maneira de barrar as investigações da Lava Jato. Quem também caiu foi o ministro da Transparência, Fabiano Silveira, que, em conversa com Machado, criticou as investigações e deu orientações aos investigados sobre como proceder em inquéritos da Polícia Federal.

Sarney foi gravado prometendo que ajudaria Sergio Machado a escapar do juiz responsável pela Operação, Sergio Moro. Na sua delação, Machado também implicou outros peemedebistas como o ex-ministro e senador Edison Lobão (PMDB-MA) e o senador Jader Barbalho (PMDB-PA).

Tanto o advogado de Renan Calheiros quanto o de Jucá negaram que eles tenham recebido dinheiro de Machado. Calheiros afirmou que, na conversa, apenas expressava seu ponto de vista sobre as investigações, mas não tentou barrá-la. Já o advogado de Sarney preferiu não se manifestar até ter acesso à totalidade de delação. Cunha ainda não se pronunciou.

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