Prisão de Cristiano Girão é mais um passo da polícia para tentar desvendar a morte de Marielle Franco

Girão foi preso na manhã desta sexta-feira, 30, por ter mandado matar o ex-policial conhecido como André Zóio, devido a uma disputa pelo poder em uma área comandada por milícias no Rio de Janeiro. Prisão do ex-vereador pode trazer mais pistas sobre a morte de Marielle Franco e Anderson Gomes

Cristiano Girão foi preso na manhã desta sexta-feira, 30. | Foto: Reprodução/CNN Brasil.


A prisão de Cristiano Girão, ex-vereador pelo Rio de Janeiro, foi efetuada na manhã desta sexta-feira, 30, e pode ajudar a Força-Tarefa que procura desvendar os assassinatos da vereadora Marielle Franco e de seu motorista Anderson Gomes, ocorridos em março de 2018.

Girão também é ex-comandante da milícia de Gardênia Azul no Rio de Janeiro e teria mandado matar o ex-policial André Henrique da Silva Souza, mais conhecido como André Zóio e sua esposa, Juliana Sales, já que André estaria tentando tomar seu lugar no comando da milícia de Gardênia Azul. Para a execução do crime, Cristiano teria contratado Ronnie Lessa, que também é réu no duplo homicídio de Marielle e Anderson.

A Força-Tarefa do Caso Marielle e Anderson (FTMA), do Ministério Público do Rio (MPRJ) e a Delegacia de Homicídios da Capital (DHC), pediram à justiça a prisão de Girão e Lessa pela morte de Zóio, no início do mês.

A prisão de Girão é vista como um passo importante nas investigações do assassinato da vereadora e de seu motorista, uma vez que buscas feitas nos computadores e celulares do ex-vereador e comandante de milícia e de seus cúmplices podem trazer à tona muitas pistas importantes. Simone Sibílio e Letícia Emile, as promotoras que estavam à frente do caso Marielle entregaram seus cargos recentemente, sob as alegações de que estavam encontrando dificuldades para trabalhar, “devido a interferências externas no caso”. 

As investigações sobre a morte de André Zóio e Juliana chegaram a Girão e Lessa depois da quebra do sigilo de dados telemáticos do policial, os quais evidenciaram que ele teria pesquisado informações sobre a morte do casal no Google, provavelmente na tentativa de descobrir por meio da imprensa, o que a polícia já sabia sobre o caso até então. 

Possível ligação entre Girão e o assassinato de Marielle 

A Força-Tarefa que trabalha no caso que busca desvendar as motivações e os mandantes do assassinato de Marielle Franco, acredita que Cristiano Girão pode estar envolvido nisso devido ao fato de que ele comandava uma milícia no Rio e a vereadora era a responsável por ouvir moradores de favelas que estavam sob o domínio desses grupos, apurando informações para a chamada CPI das Milícias, que ocorreu em 2008, tendo sido presidida por Marcelo Freixo, de quem Marielle era afilhada política.

Mesmo diante do fato de que Girão não atua mais como o líder da milícia da Gardênia Azul, tendo passado o comando para um de seus subordinados, ele ainda recebe aluguéis de cerca de 100 famílias que moram na região comandada pela organização em questão. Outro mandado de prisão de Girão já havia sido expedido em setembro do ano passado, quando ele foi alvo da Operação Déjá Vu, que apreendeu documentos em sua casa.

Entre os investigados pela DH e o MP, também estão o ex-policial civil Wallace de Almeida Pires, vulgo Robocop, que foi morto em julho de 2019; Luiz Paulo de Lemos Júnior, o Chupeta ou Juninho, e o PM Fábio Santana, o Fabio Caveira. Robocop era apontado como sócio de Girão no comando da milícia. Em julho do ano passado, Robocop e o PM João Ricardo Silva de Souza, do 18º BPM, foram assassinados com pelo menos 18 tiros em um bar em Jacarepaguá. A Polícia suspeita de que eles tenham sido mortos por uma queima de arquivos.

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