Presos da Operação Saqueador aguardam tornozeleiras para deixar presídio

Carlos Cachoeira e outros quatro detidos devem cumprir prisão domiciliar mas ainda não foram liberados por falta de tonozeleiras eletrônicas

O empresário Carlinhos Cachoeira embarca na viatura da Polícia Federal na Praça Mauá, presos na Operação Saqueador | Foto: Fernando Frazão/ Agência Brasil

O empresário Carlinhos Cachoeira embarca na viatura da Polícia Federal na Praça Mauá, presos na Operação Saqueador | Foto: Fernando Frazão/ Agência Brasil

Os cinco presos na Operação Saqueador da Polícia Federal ainda não foram liberados neste sábado (2/6) do sistema penitenciário para cumprir prisão domiciliar por falta de tornozeleiras eletrônicas. De acordo com a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap), antes de seguirem para casa, eles serão transferidos do Presídio Ary Franco, em Água Santa, zona norte do Rio de Janeiro, para o Presídio Bangu 8, na zona oeste, onde ficam os presos com curso superior.

A Seap informa que não há previsão para a aquisição de tornozeleiras eletrônicas novas por problemas com o fornecedor, mas que os presos podem cumprir prisão domiciliar sem tornozeleira, desde que haja autorização judicial.

O presidente da Delta Construção, Fernando Cavendish, e os empresários Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, Marcelo José Abbud, Adir Assad e Cláudio Abreu tiveram mandado de prisão expedido na quinta-feira (30), acusados de fazer parte de um esquema de corrupção e lavagem de dinheiro público capitaneado pela empreiteira Delta Construção.

Na sexta-feira (1º/7), a Justiça concedeu prisão domiciliar aos presos a pedido dos advogados de defesa, mas por falta de tornozeleira eletrônica eles continuaram presos.

O advogado Miguel Pereira Neto, responsável pela defesa de Marcelo José Abbud e Adir Assad, informou que entrou com petições na Justiça para soltar seus clientes. “A impossibilidade administrativa não pode agravar ou manter uma pessoa no regime prisional mais gravoso. Essas pessoas têm que ser soltas, encaminhadas para suas residências e, quando a tornozeleira estiver disponível, eles retornam para que ela seja instalada”, disse ele. “Fizemos a petição para que haja o célere e imediato cumprimento da decisão. A liberdade não pode aguardar”.

Ele adiantou que Abbud já possui tornozeleira por ter sido condenado no processo da Lava Jato e já deveria estar solto desde ontem. Cavendish foi preso nesta manhã no aeroporto internacional do Galeão no Rio de janeiro, após desembarcar de um voo da Europa.

Ele passou pelo Instituto Médico-Legal antes de ser encaminhado para o presídio Ary Franco. Nas ações do dia 30, o empresário não foi encontrado em casa, no Leblon, zona sul do Rio. Ele havia deixado o país no último dia 22 com destino à Europa. Os acusados terão que comparecer quinzenalmente em juízo a todos os atos do processo, estão proibidos de manter contato com os demais investigados, de deixar o país, devendo entregar o passaporte em até 48 horas

O advogado de Cachoeira, Marcel Verssiani, espera que o cliente seja solto ainda hoje e informou que Cachoeira cumprirá a pena domiciliar em Goiás, onde mora.

MPF

O Ministério Público Federal (MPF) informou que vai recorrer da decisão do desembargador Antonio Ivan Athié, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, que concedeu prisão domiciliar aos presos.

“Vamos recorrer para tentar reverter essa decisão, que beira o abolicionismo penal, prisões domiciliares sem análise mais profunda e cuidadosa, num contexto de desvios de quase 400 milhões, soltura relâmpago”, diz o procurador-chefe da procuradoria Regional da República, José Augusto Vagos, que atua junto ao Tribunal Regional Federal da 2ª Região.

“[É] um desprestígio aos órgãos de persecussão que trabalharam duro para essa operação, gasto enorme de tempo e dinheiro para, sem maiores considerações e aprofundamentos, concederem-se prisões domiciliares em série”, complementa. Ele diz ainda que foram mais de 20 denunciados, mas que o MPF teve o cuidado de pedir prisão de poucos, que representam risco à ordem pública.

Operação Saqueador

Os mandados de prisão foram expedidos no âmbito da Operação Saqueador da Polícia Federal, que rastreia esquema de desvio de verbas públicas e lavagem de dinheiro, no valor de R$ 370 milhões. De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), os principais acusados são o empresário Fernando Cavendish, ex-dono empreiteira Delta Construção, e o bicheiro Carlinhos Cachoeira.

Além deles, foram denunciadas 21 pessoas – executivos, diretores, tesoureira e conselheiros da empreiteira, além de proprietários e contadores de empresas fantasmas, criadas por Carlinhos Cachoeira, Adir Assad e Marcelo Abbud.

Segundo o MPF, foram reastreados os pagamentos feitos pela Delta a empresas de fachada. Foi verificado ainda aumento dos valores dessas transferências em anos de eleições. Foram feitas transferências, por exemplo, de R$ 80 milhões para uma obra inexistente chamada Transposição do Rio Turvo, no Rio de Janeiro.

As empresas, que só existiam no papel, recebiam o dinheiro, mas não executaram o serviço. De acordo com o MPF, as empresas de Adir Assad e Marcelo Abbud emitiam notas frias não só para a Delta, mas para muitas outras empresas. Segundo as investigações, o esquema também serviu de suporte à corrupção na Petrobras.

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