Presidente Donald Trump: a maior democracia do mundo elegeu um “eutadista”

O ego do empresário e agora presidente eleito é tão grande que nem o próprio consegue ter sua dimensão. Agora, ajudem o playboy a pilotar

Trump dá autógrafos em um de seus comícios | Foto: reprodução

Trump dá autógrafos em um de seus comícios | Foto: reprodução

Donaldo Trump sempre foi um playboy. Um almofadinha mimado e sem noção. Tão sem noção que um dia quis ser presidente dos Estados Unidos, só para gastar alguma grana. Fez umas promessas muito loucas e, veja só, conseguiu chegar lá. Mas sua eleição, algo que seria inconcebível para os tempos atuais, na verdade, faz todo o sentido.

Ela é inconcebível tendo em vista o progresso tecnológico e de informação que o mundo alcançou, e que deveria fazer com que o mundo “desse a volta” em torno de seus desafios mais complicados. E aqui falamos de doenças incuráveis até o problema da fome e da desigualdade.

Mas é que falta avanço humano. Na verdade, o homem Trump representa, sim, a maioria dos norte-americanos, mas também da humanidade, cujo ego é o epicentro. Fosse diferente e não haveria o fosso civilizatório separado pelo Mar Mediterrâneo. Fosse diferente e o meio ambiente não seria sempre a causa a ser protelada – aliás, esqueçam acordos climáticos na gestão do bilionário dos cassinos.

Donald Trump escancara a carência dos americanos diante dos desafios do mundo globalizado. Seu slogan “make the America great again” (“fazer a America grande de novo”), com propostas xenofóbicas e nacionalistas, é a busca do resgate de um imperialismo utópico nos tempos atuais. Tem a mesma chance de eficácia que o ressurgimento do comunismo nos moldes bolcheviques.

A coisa é tão hilária (só vi a coincidência irônica do uso do termo depois de escrever) que nos bonés com seu slogan estava a etiqueta “made in China”. Ele mesmo tinha um chinesinho na cabeça e não sabia.

Mas, para ver a coerência de sua eleição, basta ver os vários sinais mundo afora: o terrorismo ligado à religião, o crescimento do poderio de Vladimir Putin, o nascimento de uma ditadura às portas da Europa (na Turquia) e a saída do Reino Unido da Comunidade Europeia, pelo Brexit. Como dizer que Trump não se encaixa perfeitamente nesse contexto?

Não dá para dimensionar ainda quanto de suas bravatas de campanha ele efetivamente realizará. Fazer um muro separando os Estados Unidos e o México e mandar a conta da obra para os vizinhos seria coisa de humor nonsense à la Monty Python. Mas a vida imita a arte e os Simpsons já previam o que poderia acontecer.

Não foi uma vitória dos republicanos. Trump não tem nada de republicano. Na verdade, não tem nada de político, e foi por isso que acabou eleito. Seu ego é tão grande que, por mais que ele caminhe, milhas e milhas, não consegue chegar ao fim dele. A maior democracia do mundo elegeu um “eutadista”.

Por outro lado, foram os republicanos que criaram o monstro. Quem pariu Mateus que o embale agora, com a maioria no Congresso. Deram um manche de avião para um playboy que acha que isso é um brinquedo. Que agora o ajudem a pilotar.

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