Presidente do Sindifisco critica paralisia na Secretaria da Economia para combater crise financeira

O Estado é um paciente com uma forte gripe, mas que não há necessidade de colocar na UTI. Basta dar o remédio correto”

Mayara Carvalho e Francisco Costa

“A crise (econômica de Goiás) é grave, mas é colocada em um patamar inadequado. Parece que querem manter esse caos para conseguir apoio federal”, afirmou Paulo Sérgio, presidente Sindicato dos Auditores Fiscais do Estado de Goiás (Sindifisco). Segundo ele, com o “remédio” adequado, que seria incremento de receita, combate à sonegação, revisão das renúncias fiscais, enfim, soluções caseiras, com a equipe técnica, em especial os auditores de Goiás, é possível aumentar a efetividade da arrecadação.

“O Estado é um paciente com uma forte gripe, mas que não há necessidade de colocar na UTI. Basta dar o remédio correto.” Para ele, é necessário parar de esperar o socorro da União, que em algum momento virá. Não se pode paralisar o Estado, uma vez que há medidas para autorrecuperação, elucida.

Avaliação

O presidente do Sindifisco afirma que a categoria fez uma avaliação dos benefícios que hoje vigoram no Estado e não atacou nenhum, somente o que foi compreendido como “aberrações, distorções”.

“Não tem cabimento a empresa gerar alguns empregos e o estado abrir mão de alguns milhões. Demonstramos a necessidade de readequações, com revisão dos termos de acordo. Não tem cabimento receber o benefício e não ter uma meta mínina. Falamos em taxação dos commodies, que o setor primário é praticamente exonerado, até para malha de escoamento e infraestrutura de produção, além de toda questão ambiental, que também sofre impacto”, diz e completa: “Propusemos a criação de taxação desses commodities, como acontece no Mato Grosso. Lá a estimativa é de arrecadação de R$ 1,5 bi.”

Paulo justifica que o benefício não é ruim, mas esses excessos, “por conta de ingerência política fez com que algumas empresas não recolhessem ICMS. A padaria da esquina recolhe mais”.

Resultados

Na última semana, foram levantados alguns pontos na Assembleia Legislativa, pela secretária de Economia, Cristiane Schmidt, como revisão de renúncias fiscais e combate a sonegação. Para o auditor, essas medidas internas já deveriam ter sido implementadas. “Não ocorreu, porque a secretária ainda nem se reuniu com a equipe. Como implementar se há alguns dias trocou superintendente, enquanto montava equipe?”

Questionado sobre resultados, Paulo Sérgio diz achar difícil nos próximos meses. “Salvo se derem autonomia para o fisco trabalhar.” Ele comentou acerca da reunião que teve, ao lado de outros auditores, com o governador Ronaldo Caiado (DEM). “Os auditores pediram para trabalhar. Estamos há dois meses com a pasta paralisada, sem rotina administrativa. Duvida que a Cristiane tenha uma solução.”

Paralisação

Vale destacar que, no fim do mês passado a categoria realizou uma assembleia e tinha decidido reduzir a efetividade do trabalho. Porém, segundo o presidente, após a reunião com o governador ficou acordado que, se houvesse consequências concretas até o dia 11, um novo encontro seria marcado para novas decisões.

“Queremos trazer o fisco para dentro do processo, que é a nossa expertise, pois estamos alheios. E também precisamos resolver a folha dos inativos.”

Confira a entrevista na íntegra:

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