Reportagem presenciou diálogo entre Samuel Belchior e a senadoriável pelo PT, Marina Santanna. A candidata petista fez um pedido ao dirigente

Foto: Fernando Leite/Jornal Opção
“No passado era zero. Não tínhamos estrutura nenhuma”, lembrou Belchior   Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

O presidente estadual do PMDB, Samuel Belchior, em entrevista ao Jornal Opção Online, minimizou a situação crítica pela qual estaria passando a campanha do governadoriável Iris Rezende. Para ele, é normal que a legenda encontre dificuldades ao longo do processo eleitoral. “Todos os candidatos da oposição têm muita dificuldade financeira. O único candidato que não está tendo dificuldades é o governador”, alfinetou.

Belchior também atentou ao fato de a campanha do PMDB nestas eleições ter sido estabelecida em um contexto financeiro e administrativo mais favorável em relação às campanhas anteriores. “No passado era zero. Não tínhamos estrutura nenhuma”, atentou o dirigente.

A crise peemedebista foi aventada pelo deputado federal e coordenador da campanha irista, Sandro Mabel. O parlamentar garantiu que a sigla não tem conseguido doações para seu projeto político e que o próprio Iris teria ajudado com R$ 700 mil. Outro problema enfrentado pelo PMDB envolve a distribuição de material gráfico. Conforme nota publicada na coluna Bastidores, do Jornal Opção, prefeitos do interior têm encontrado dificuldades para obter o material devido à ausência de interlocutores confiáveis.

Para contornar os obstáculos, Belchior afirma que a campanha tem concentrado seus esforços nas regiões “mais importantes” do Estado e com mais problemas. Quanto à distribuição do material gráfico, ele diz se tratar de uma questão de logística. “Tem região que a maioria dos companheiros podem vir buscar, outros não podem vir e temos que levar. A questão é administrar as possibilidades do município e as nossas”, explicou.

Em entrevista, Samuel Belchior também comentou acerca de um possível impacto negativo que o programa do governadoriável Iris Rezende teria causado entre o eleitorado, após início do horário eleitoral na TV e Rádio. As principais críticas dizem respeito ao fato do peemedebista histórico parecer não apostar na renovação de sua imagem, destacando o seu caráter popular. Ainda sim, segundo o presidente, pesquisas internas do partido colocam o programa de Iris como o melhor avaliado pela população entre os candidatos ao governo do Estado.

Pedido de Marina

Durante entrevista com Belchior, o Jornal Opção Online presenciou um diálogo entre o presidente peemedebista e a senatoriável pelo PT, Marina Sant’Anna. A candidata aproveitou o encontro e pediu ao dirigente maior participação do PMDB em prol da reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT). “Não sei que acordo vocês fizeram [com Ronaldo Caiado e com Armando Vergílio], mas seria muito bom participar mais da campanha da Dilma”, disse Marina.

Samuel, por sua vez, desconversou sobre a possibilidade aventada, mas admitiu que a questão merecia ser tratada com mais atenção. “O Iris não tem acordo com Caiado ou com Armando, neste sentido. Nem o PMDB. Tem um acordo de apoiar o Michel [vice-presidente peemedebista] e automaticamente a Dilma. Realmente, houve muitos desencontros”, respondeu.

Como se sabe, desde que o PT goiano resolveu lançar candidatura própria e consequentemente abandonar a aliança com o PMDB, a relação entre as legendas ficou estremecida, o que acabou respingando na campanha presidencial. Há cerca de um mês, durante carreata por Goiânia, o próprio Iris Rezende disse que Dilma não ajuda seu companheiro de partido, o prefeito de Goiânia, Paulo Garcia (PT), mas que, em contrapartida, teria concedido mais de R$ 10 bilhões à gestão estadual.

Coordenador da campanha irista, Mabel é outro peemedebista que prega por uma nova liderança em nível nacional. “O Brasil não aguenta mais quatro anos de Dilma Rousseff. Se fosse o Lula, tudo bem, mas a Dilma, não. A Dilma vai afundar o Brasil na inflação”, declarou durante as convenções estaduais do PMDB. O deputado acrescentou ainda que não é “contra o PT”, mas acha que a atual presidente não consegue administrar o país. “Se eu fosse o Iris, eu não apoiaria, mas vamos ver o que ele vai fazer.”