Presidente da OAB-GO causa polêmica após apoiar candidato em vídeo na sede da Ordem

Advogados eleitorais garantem que gravação afronta legislação federal e Código de Ética e Disciplina da entidade. Lúcio Flávio se defende e diz que não pediu voto

Divulgação/Youtube

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O presidente da seccional goiana da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-GO), Lúcio Flávio, usou recentemente as dependências da sede da Ordem em Goiânia para gravar um vídeo em apoio ao candidato a vereador Hélmiton Prateado.

Divulgado nas redes sociais, a gravação mostra Lúcio Flávio ao lado de Hélmiton, dizendo não ter dúvidas de que o candidato “é um excelente nome para a cidade”.

“Conheço o Hélmiton há muito tempo e posso dizer que ele é um jornalista combativo, um homem de bem e que representa a renovação. O eleitor que escolhê-lo terá um homem da melhor qualidade no parlamento goiano”, diz o presidente no vídeo. (Confira abaixo)

Para advogados eleitorais, a gravação no prédio da seccional goiana afronta a legislação eleitoral, que proíbe a propaganda em bens públicos ou de uso comum. É o que aponta o ex-secretário e ex-conselheiro da Ordem no Estado, o advogado Julio Meirelles.

Para ele, a postura do presidente é “absurda e também fere princípios morais e institucionais da figura do presidente, envergonha a advocacia goiana e reclama firme e severa reprimenda por parte do Conselho Federal”. “Em mais de doze anos de atuação classista na OAB-GO, com contato estreito em diversas Seccionais do país, jamais vi algo parecido”, afirma.

Outros advogados consultados pela reportagem ratificam a fala de Meirelles. Segundo os profissionais, o presidente teria utilizado a Ordem para fins eleitorais, o que caracterizaria crime de improbidade administrativa, além de configurar uma infração ético-disciplinar, prevista no Código de Ética e Disciplina da Ordem.

Fora isso, os advogados relatam que, ao gravar o vídeo, Lúcio Flávio teria privilegiado Hélmiton em detrimento dos demais candidatos a vereador, utilizando a Ordem para interesses pessoais, o que pode ser configurado também em abuso de poder de autoridade.

Em resposta ao Jornal Opção, o presidente da OAB-GO afirmou que não considera o vídeo como uma demonstração de apoio, muito menos um pedido de voto. Ele relatou que Hélmiton o visitou em seu gabinete e pediu para que gravasse o vídeo.

“Não é apoio. Ele fez uma visita ao meu gabinete e solicitou se poderia fazer a gravação. Me certifiquei de não pedir votos em nenhum momento do vídeo. Eu o conheço há muito tempo e faria a mesma coisa a qualquer candidato que atestasse sua boa índole”, explicou à reportagem, na noite desta segunda-feira (19).

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