Presidente da comissão da reforma da Previdência sugere afastamento de Moro

Marcelo Ramos também insinuou que, diferente do ministro, não adéqua sua interpretação da lei, de acordo com o acusado

Marcelo Ramos | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Para o deputado federal Marcelo Ramos (PL-AM), que é também o presidente da comissão especial da reforma da Previdência, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, deveria deixar o cargo de forma voluntária. Em entrevista à Agência Reuters, o parlamentar declarou que o afastamento deveria ocorrer até o esclarecimento das denúncias realizadas por matéria do Intercept Brasil, que apontou colaboração do então juiz com procuradores da Lava Jato.

Advogado e professor de Direito Constitucional, o deputado Marcelo Ramos pontuou, ainda, que esta atitude [do afastamento] evitaria mais tumulto em torno da reforma, além de garantir “a liberdade de investigação”. Vale destacar que Moro é o responsável por controlar a Polícia Federal (PF).

Insinuações

Na ocasião, o deputado também fez insinuações ao dizer que não adéqua sua interpretação da Lei, de acordo com o acusado, diferente de Moro. “Não vejo nenhuma imposição constitucional que justifique o afastamento. Mas penso que, como refém do próprio discurso, ele deveria pedir afastamento voluntário”, sugeriu.

Da mesma forma, apesar da PF ter aberto investigação contra a invasão de um telefone celular do ministro, Ramos não vislumbra que a corporação irá investigar o ministro, da qual é submetida.

Caso

No domingo, 9, o site The Intercept Brasil divulgou o suposto conteúdo de mensagens trocadas pelo então juiz federal Sergio Moro e por integrantes do Ministério Público Federal, como o procurador da República Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa em Curitiba. As conversas supostamente mostrariam que Moro teria orientado investigações da Lava Jato por meio de mensagens trocadas no aplicativo Telegram.

Por meio de nota, a força-tarefa da Lava Jato em Curitiba afirmou que “não sabe exatamente ainda a extensão da invasão”, mas que “possivelmente” foram copiados “documentos e dados sobre estratégias e investigações em andamento e sobre rotinas pessoais e de segurança” dos integrantes do grupo e de suas famílias.

Já Sergio Moro informou, também por nota, que “não se vislumbra qualquer anormalidade ou direcionamento da atuação enquanto magistrado”.

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