Prefeituras da Região Metropolitana decidem prorrogar decretos e ampliar fiscalização a partir desta segunda, 8

Dentre as novas medidas apresentadas pela Prefeitura de Goiânia estão o fechamento de ferragistas e lojas de materiais de construção. Além disso, somente um integrante do núcleo familiar será autorizado a entrar em supermercados que passarão por fiscalização mais intensa a partir da próxima segunda-feira, 7

Rua da Região da 44 com comércios fechados | Foto: Fernando Leite

Por meio virtual, prefeitos da Região Metropolitana de Goiânia (RMG) se reuniram no sábado, 6, em dois momentos, para debater as novas medidas que serão adotadas em todos os municípios que integram a RMG a partir da próxima segunda-feira, 8, data em que se encerram os primeiros sete dias de suspensão das atividades não essenciais na capital e nas cidades vizinhas. Ficaram definidas a manutenção das restrições e a permanência do transporte coletivo em circulação.

A intenção, conforme reafirmou o prefeito de Goiânia, Rogério Cruz (Republicanos), era chegar a um entendimento amplo, com a participação de todos. No encontro, os prefeitos debateram sobre a possível paralisação do transporte coletivo, medidas mais duras para conter o avanço da Covid-19 nos municípios, aquisição de vacinas e a prorrogação, por mais sete dias, do decreto de combate à pandemia.

Rogério Cruz defendeu a prorrogação do decreto e revelou que aumentou as fiscalizações nas ruas, com a participação de agentes da Guarda Civil Metropolitana. “Estamos trabalhando e buscando conscientizar os moradores da capital goiana quanto ao cumprimento do decreto”, argumentou.

Em Goiânia, os supermercados vão passar por uma fiscalização específica em virtude do não cumprimento do distanciamento social. “Recebi informações de que os supermercados não estão respeitando regras sanitárias”, disse o prefeito.

Dentre as novas medidas apresentadas pela Prefeitura de Goiânia estão o fechamento de ferragistas e lojas de materiais de construção, além de bares, restaurantes e distribuidoras, que somente vão poder oferecer o serviço de delivery.  Somente um integrante do núcleo familiar será autorizado a entrar em supermercados. No mais, Rogério Cruz disse que a administração municipal vai seguir o mesmo decreto e intensificar ainda mais a fiscalização.

Transporte coletivo

Na primeira etapa da reunião, os gestores frisaram que o momento ainda é crucial e insistiram na busca por entendimento entre todos os prefeitos com o Governo de Goiás, o Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO), a Defensoria Pública do Estado de Goiás (DP-GO) e Procuradoria de Contas junto ao Tribunal de Contas dos Municípios (TCM), que foram terminantemente contrários à paralisação do transporte coletivo e cobraram a responsabilidade do setor produtivo em obedecer as regras estabelecidas nos decretos municipais.

O governador Ronaldo Caiado reafirmou a importância de manter as medidas restritivas nas cidades da RMG por mais sete dias. Mas descartou a paralisação do transporte coletivo. “Ao paralisar o serviço, vamos impedir o acesso a diversos outros que também são essenciais, como hospitais, farmácias e estabelecimentos de alimentação. Não podemos dificultar a vida das pessoas”.

Caiado também chamou atenção para o nível de isolamento social, que já chegou a 66%, mas hoje não passa de 32%. “Isso é preocupante, precisamos mudar essa realidade. Entendo a fadiga e o estresse de muitos, mas sem o isolamento social essa pandemia não vai passar”.

O procurador-geral de Justiça de Goiás, Aylton Vechi, parabenizou a iniciativa dos prefeitos de buscar o entendimento, mas afirmou que o MP também é contrário à paralisação do transporte coletivo da RMG.

Segundo ele, é preciso identificar para onde as pessoas estão indo para verificar a taxa de isolamento, pois vários estabelecimentos estão trabalhando com meia porta. “Se o decreto estivesse sendo cumprido, o transporte poderia estar operando em níveis sustentáveis, sem aglomeração”, alertou.

Assim como MP, a DP e a Procuradoria de Contas junto ao TCM também defenderam a manutenção do transporte coletivo como serviço essencial. “Muitas pessoas utilizam o ônibus público para se deslocar a uma unidade de saúde, ou seja, essa é a única opção de boa parte da população para acessar os serviços essenciais”, afirmou Henrique Pandim, da Procuradoria de Contas junto ao TCM.

Situação crítica

O secretário estadual de Saúde, Ismael Alexandrino observou que gráfico epidemiológico evidencia uma alta de casos em Goiás no mês de março. “A próxima semana será muito crítica”, revelou. “Não é o momento de cada município tomar decisões isoladas e vocês precisam manter essa união, mesmo sofrendo pressões”, apelou para os prefeitos.

O secretário de Saúde de Goiânia, Durval Pedroso, foi enfático em dizer que o objetivo das prefeituras neste momento deve ser evitar sistematicamente a circulação das pessoas, eliminar as aglomerações, independente das atividades, e buscar efetividade nas ações de fiscalização. “Somente teremos resultado se as pessoas deixarem de circular e aumentarem ainda mais os cuidados sanitários, como a higienização das mãos, uso contínuo das máscaras”, alertou.

Atualmente, a capital conta com 458 leitos específicos para o tratamento da Covid-19, sendo 254 de UTI e 204 de enfermaria. Mas a taxa de ocupação é muito alta, hoje está em 98%  (UTI) e 96% (enfermaria). A partir de segunda-feira, 8, novos leitos estarão disponíveis no Hospital das Clínicas.

“Contratamos mais 100 leitos, via convênio com Fundação de Apoio ao Hospital das Clínicas (Fundahc) e estamos neste momento credenciando profissionais para trabalhar nas nossas unidades exclusivamente no tratamento do coronavírus”, sublinhou.

O prefeito de Aparecida de Goiânia, Gustavo Mendanha, também concordou com a prorrogação por mais mais sete dias e sugeriu um estudo por parte do comitê, que integra os prefeitos da RMG, para adoção de medidas de restrições regionalizadas, que permitam uma abertura parcial do comércio. “É uma sugestão, não precisa ser exatamente como o modelo adotado por Aparecida de Goiânia, mas precisamos pensar em alguma ação que seja pelo menos pedagógica aos moradores das nossas cidades”, pontuou o prefeito Gustavo.

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