Prefeitura de Goiânia tem desafio de atrair moradores para revitalização do Centro

Segundo moradores, além do Plano Diretor, medidas como liberação de espaços públicos para atividades culturais e movimentação da vida noturna podem reviver região

Centro de Goiânia é ponto fraco no mercado imobiliário | Foto: Matheus Monteiro/Jornal Opção

Um dos desafios da prefeitura de Goiânia é revitalizar o Centro da cidade, que é sinônimo de confusão durante o dia e total vazio à noite. A minuta do projeto do novo Plano Diretor de Goiânia ao Conselho Municipal de Políticas Urbanas (Compur) foi finalizado no último mês apresentando o texto com propostas da Secretaria Municipal de Planejamento Urbano e Habitação (Seplanh), para que a região seja habitada por novos moradores.

“O Centro sempre foi e está sendo uma das grandes preocupações na revisão do Plano Diretor, por entendermos o valor histórico da região e visualizamos que existe a estrutura para a revitalização necessária para receber a população”, disse o superintendente da Seplanh, Henrique Alves, em entrevista ao Jornal Opção.

Segundo a Associação das Empresas do Mercado Imobiliário de Goiás (Ademi-GO), em Goiânia, a venda líquida no setor imobiliário – que são as vendas brutas decrescidas dos distratos – apresentou crescimento em 2017 de 127%, com valor final marcando mais que o dobro do valor do ano anterior: R$ 2,5 bilhões, frente aos R$ 1,1 bilhões de 2016. Por isso, a expectativa é de crescimento este ano.

Para o Centro, especificamente, o  vice-presidente da Ademi-GO, Fernando Razuk, afirma que o problema atual é que a construção na região tem o mesmo valor que em bairros nobres, mas o valor final dos empreendimentos ali acaba sendo mais barato.

Segundo ele, porém, a solução não está tão distante. “Se você parar para pensar, do ponto de vista de infraestrutura, é muito melhor a prefeitura revitalizar o Centro, que está morrendo, mas já tem asfalto, rede de ônibus, saneamento, do que espalhar as construções para a periferia”, explicou. Ele diz ainda que todo e qualquer incentivo por parte do poder público é importante. De acordo com Henrique Alves, duas ações que se complementam foram colocadas no texto do Plano Diretor.

“De início, o município pretende isentar 100% da outorga do direito de construir, que hoje é paga em qualquer cidade para prédios acima de três pavimentos. Além disso, irá isentar todas as taxas urbanísticas para novos empreendimentos, como uso do solo e aprovação de projeto. O objetivo é diminuir o custo de construção e tornar o Centro mais atrativo”, adiantou.

Vale ressaltar que os incentivos são para prédios que tenham fachadas ativas, ou seja, prédios habitacionais com térreo comercial. O superintendente da Seplanh explica que o motivo é a questão da mobilidade, para que quem viva na região tenha nas proximidades serviços básicos do dia a dia, como padaria, escola de inglês e salão de beleza.

Na segunda etapa, que já não está inclusa no Plano Diretor, mas será feita através de leis específicas com diretrizes no texto, objetiva-se implementar isenção de impostos. Por exemplo, quem se mudar para o Centro não irá pagar o primeiro Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU).

Além disso, busca-se a recuperação do chamada Núcleo Urbano Pioneiro de Goiânia, ou seja, a limpeza das fachadas. A ideia da prefeitura é redigir uma lei específica, a ser apresentada à Câmara Municipal, definindo, por exemplo, as medidas máximas para fachadas e letreiros, bem como a regulamentação de outdoors, totens e balões publicitários.

Para o ator e dramaturgo Rodrigo Ungarelli, que, entre idas e vidas, mora no Centro há cerca de vinte anos, o vazio da noite é algo incômodo para desenvolvimento da região. “Sinto falta de vida noturna aqui. Mas, muito mais que isso ,me incomoda a poluição visual na fachada de prédios antigos e a falta de cuidado com o patrimônio histórico do centro da cidade”, disse.

Sobre esse ponto das fachadas, a ideia da prefeitura é redigir uma lei específica, a ser apresentada à Câmara Municipal, definindo, por exemplo, as medidas máximas para fachadas e letreiros, bem como a regulamentação de outdoors, totens e balões publicitários.

“Claro, acompanhado de incentivos fiscais, até porque o comerciante terá um custo para adequar seu comércio. Com isenções de impostos, por exemplo, o município vai auxiliar para que seja feita a correção. Também estimularemos atividades econômicas e a ocupação no Centro”, acrescentou Henrique Alves, que prometeu também amplo debate com lojistas, população e vereadores.

A movimentação da região é outro ponto apontado pela produtora cultural Pri Loyola, também moradora do Centro. ” A prefeitura tem que liberar mais os espaços para atividades culturais. Os becos e a Praça Cívica, por exemplo, são áreas quase inutilizadas e largadas que podem movimentar a região”, finaliza.

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