Prefeitura de Goiânia agiu como “advogado de defesa” do Nexus, diz conselheira do CAU

Mesmo sem respostas precisas do Paço, conselho prepara conclusão de relatório que deve, mais uma vez, confirmar irregularidades no projeto do megaempreendimento 

Apesar de investigações, Nexus já começou a ser construído, e sem as devidas precauções de impacto de vizinhança | Foto: Renan Accioly/ Jornal Opção

O Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Goiás (CAU-GO) prepara ainda para o mês de março a conclusão do relatório do projeto apresentado pela Consciente e pela JFG Incorporações para a construção do Nexus Shopping & Business, localizado no encontro das avenidas D e 85, no Setor Marista.

A análise criteriosa vem sendo desenvolvida desde o último ano pela Comissão de Política Urbana da entidade a pedido do promotor Juliano de Barros Araújo — que investiga desde o início de 2016 série de irregularidades envolvendo o megaempreendimento.

Os trabalhos para a confecção do parecer técnico ficaram paralisados durante algum tempo por conta da lentidão da Secretaria Municipal de Planejamento e Habitação (Seplanh) da Prefeitura de Goiânia em responder a uma série de questionamentos que havia sido enviada por uma equipe do CAU.

Em entrevista ao Jornal Opção, a coordenadora da Comissão de Política Urbana do conselho, Regina de Faria Brito, conta que foram necessários meses de reiterações para que a solicitação do conselho fosse atendida pelo Paço. “O promotor teve, inclusive, que ameaçar a pasta para conseguir essa resposta”, lembra. A resposta chegou às mãos do CAU no final de 2016, no apagar das luzes da última gestão, e, ainda sim, incompletas e muito aquém do esperado.

Conforme adianta Regina, a prefeitura deixou de responder as solicitações do órgão para sair em defesa do megaempreendimento. “Não responderam com clareza, ou, em alguns casos, nem sequer responderam. Em momento algum, avaliaram de forma técnica, apenas defendeu o empreendimento, como um verdadeiro advogado de defesa”, afirmou.

A coordenadora da comissão afirma ver com estranheza a falta de transparência e tecnicidade por parte da pasta, responsável justamente pela fiscalização e cumprimento das leis no que tange ao planejamento urbano da capital.

Um relatório preliminar, objeto de reportagem especial da edição 2136 do Jornal Opção, já havia mostrado, mesmo que de forma antecipada, uma série de irregularidades e números assustadores relacionados ao megaempreendimento. Segundo demonstrava o documento, há erros básicos em quase todas as partes do projeto, desde a taxa de ocupação do empreendimento até confusão entre centímetros e metros em plantas.

Além disso, ficou comprovada a necessidade da duplicação do sistema de água, esgoto e da rede elétrica da região devido ao impacto da construção na região. Outra suspeita é de que o Nexus tenha sido aprovado sem o projeto concluído e sem os estudos de impactos.

À reportagem, a vice-presidente do CAU Goiás, Maria Ester, reforça que a construção do Nexus no Setor Marista em uma região que já é recorrente alvo do setor imobiliário coloca os moradores da capital em uma situação de risco, com possibilidade de engarrafamentos, apagões e falta d’água. “O Nexus não é um problema isolado. Você tem um setor inteiro sendo adensado”, explica.

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