Prefeitura corta repasses para exames e cirurgias e estabelece meta impossível para Saúde

Secretaria de Saúde garantiu que hospitais públicos e filantrópicos vão dar conta de atender toda demanda de exames feito em clínicas particulares, mas Simego desmente

A gestão Iris, através da Secretaria Municipal de Saúde, suspendeu o repasse de complemento ao Sistema Único de Saúde (SUS) de exames para pacientes da rede pública que eram feitos em clínicas particulares, além de procedimentos e cirurgias eletivas.

Em portaria publicada no último dia 25 de setembro, foi decretada que a prefeitura de Goiânia deixa de pagar sua parte na execução de exames em clínicas particulares, o que reflete imediatamente na suspensão dos serviços prestados pelos hospitais particulares. Entre os exames suspensos estão broncoscopia, exames de tomografia, exames de imagem de forma geral e exames oftalmológicos.

De acordo com a presidente do Sindicato dos Médicos no Estado de Goiás (Simego), Pabline Marçal, “o valor pago pelo SUS para os exames, cirurgias e procedimentos estão muito defasados”. “Sem a complementação  por parte da prefeitura de  Goiânia, em alguns casos, o valor a ser pago não cobrirá nem mesmo o custo dos exames e cirurgias”, disse em entrevista ao Jornal Opção.

Presidente do Simego | Foto: Divulgação

Segundo a presidente, prestadores deixarão de realizar os procedimentos tanto cirúrgicos quanto exames de imagem e procedimentos laboratoriais.  “Infelizmente, os pacientes poderão ficar sem a cobertura de diversos exames, procedimentos e cirurgias”, explicou.

Em nota, a Prefeitura disse que hospitais públicos e filantrópicos vão dar conta de atender toda a demanda, o que foi desmentido pela representante do Simego. “A afirmação não procede. Em alguns casos os exames e procedimentos que foram atingidos pelo corte da complementação não são feitos pela rede própria da SMS de Goiânia  e mesmo os hospitais filantrópicos estão discutindo se continuam ou não a prestar o serviço, pois já não conseguem arcar com as despesas desses procedimentos”, afirmou.

Segundo ela, “caso não haja a revogação da portaria o prejuízo à população será muito grande”. “Esperamos que a SMS de Goiânia reconsidere a decisão e volte a pagar o complemento para a realização dos exames e cirurgias”,

Na última terça-feira (3/10), representantes do Sindicato dos Hospitais e Estabelecimentos de Serviços de Saúde no Estado de Goiás (Sindhoesg), Federação dos Hospitais, Laboratórios, Clínicas de Imagem e Estabelecimentos de Serviços de Saúde do Estado de Goiás (Fehoesg) e Sindicato das Clínicas Radiológicas, Ultrassonografia, Ressonância Magnética,Medicina Nuclear e Radioterapia no Estado de Goiás (Sindimagem) entregaram um ofício ao prefeito reivindicando a imediata suspensão da nova portaria.

O Simego publicará nos próximos dias um edital de chamamento para uma Assembleia Geral Extraordinária para que a categoria discuta o problema e se mobilize para tentar sensibilizar a gestão para que reconsidere e revogue a portaria que corta a complementação para exames, procedimentos e cirurgia.

Procuradas, a SMS e a Prefeitura de Goiânia não responderam aos questionamentos da reportagem.

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