Prefeitura atrasa repasses e Instituto de Neurologia ameaça interromper cirurgias pelo SUS

Hospital é referência nacional no tratamento de epilepsia via intervenção cirúrgica e chega a fazer até 200 procedimentos por ano

Foto: Reprodução / Facebook

O Instituto de Neurologia de Goiânia (ING) pode interromper a realização de tratamento cirúrgico de epilepsia por falta de repasses por parte da Secretaria Municipal de Saúde da Prefeitura de Goiânia.

O hospital é o único que realiza a técnica em Goiás e recebe também pacientes de toda a região Centro-Oeste, além do Norte e Nordeste. O tratamento para epilepsia via procedimento cirúrgico é classificado como cirurgia eletiva e recebe verba específica do Fundo de Ações Estratégicas e Compensação (FAEC) do Ministério da Saúde para sua realização.

“Chegamos a fazer 200 procedimentos por ano e pelo menos 90% deles é pelo SUS. Nosso hospital é referência não apenas para Goiás, mas para o Brasil todo nessa área”, ressalta o coordenador do programa e diretor administrativo do hospital, Dr. Francisco Arruda.

Ele explica que o problema para o recebimento da verba é local porque mesmo o dinheiro oriundo do governo federal passa pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS).

“O faturamento para a realização do serviço pelo SUS é feito de duas maneiras. A fatura paga com recurso oriundo do orçamento da SMS e a complementação paga pelo Ministério da Saúde, mas que também chega via secretaria municipal. Essa complementação já não é paga há quase dois anos e a dívida já é de quase R$ 1 milhão”, explicou ao Jornal Opção.

“Já entramos em contato com o Ministério da Saúde e eles nos mostraram que, da parte deles, o repasse está em dia. O problema é local”, afirmou. Ainda de acordo com Arruda, o hospital entrou em contato por mais de uma vez com o prefeito de Goiânia, Iris Rezende (MDB), e com a secretária de Saúde, Fátima Mrué, que prometeram dar uma solução ao problema, mas nada apresentaram de concreto.

O Jornal Opção também entrou em contato com a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), mas não obteve resposta.

Diante do problema, o diretor do hospital afirma que não restou outra opção a não ser a suspensão de novas cirurgias. “Os pacientes que já estão em tratamento, iremos atendê-los até o final porque queremos honrar o compromisso que fizemos com essas pessoas. Mas, a partir de agora, o agendamento de novos procedimentos estão suspensos até que haja uma solução”, disse.

O médico lamenta porque fora do eixo Sul-Sudeste, o ING é o único que faz a cirurgia. “São cirurgias eletivas, então não existe urgência. Mas se deixarmos passar meses sem o procedimento, o paciente acumula riscos de consequências graves da epilepsia e até de morte”, disse.

Além disso, o hospital lamenta ter que interromper o atendimento ao SUS. “Nosso serviço que oferecemos é de qualidade internacional, nossos equipamentos são de ponta e nossa intenção nunca foi interromper o convênio. Queremos abrir diálogo para encontrar uma solução e manter o programa de tratamento para epilepsia”, arrematou.

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